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Renova Energia ainda não tem planos para futuro após vendas de ativos, diz diretor

29/03/2018 14h18

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de geração Renova Energia, controlada por Cemig e Light, ainda não tem planos para o futuro após a venda de seus principais projetos eólicos para a canadense Brookfield, atualmente em fase de conclusão, disse o diretor de Relações com Investidores da empresa, Paulo Ferreira, em teleconferência com acionistas nesta quinta-feira.

A elétrica, que chegou a ser líder no mercado eólico brasileiro e previa alcançar um portfólio de 2,66 gigawatts em 2019, deve ficar com apenas 190 megawatts em pequenas hidrelétricas caso feche o negócio com os canadenses.

Mas a Renova recebeu também uma proposta da Cemig para a compra de sua fatia na Brasil PCH, que se aceita deixaria a empresa com apenas três pequenas hidrelétricas, ou cerca de 42 megawatts.

"Ainda não existe um plano claramente definido sobre isso. Uma vez resolvida a questão da alavancagem da companhia, e a companhia se tornando efetivamente sustentável no longo prazo, ela ainda continua com um portfólio bastante grande de projetos eólicos", disse Ferreira, após perguntas de analistas sobre as perspectivas da empresa.

A Renova listou em seu balanço um portfólio de quase 6 gigawatts em projetos em desenvolvimento, dos quais 5,36 gigawatts eólicos, 278 megawatts solares e 113 megawatts em pequenas hidrelétricas.

Desses, cerca de 1,1 gigawatt devem ser incluídos na transação com a Brookfield.

"É uma nova história que começa, e começa já com uma base de projetos muito sólida", disse Ferreira.

Ele afirmou que um dos caminhos para a empresa seria voltar a disputar leilões de energia para crescer, o que hoje esbarra em dificuldades de acesso ao mercado de crédito, devido ao alto endividamento.

Outra possibilidade seria a empresa passar a apostar na venda de projetos para investidores.

"Diante da perspectiva de novos leilões de energia, a companhia pode seguir tanto o caminho de venda de projetos para desenvolvedores... ou tentar novas fontes de financiamento", disse.

Em meio à drástica virada no destino da companhia, ações da Renova operam nesta quarta-feira a cerca de 2,75 reais, após terem chegado a tocar quase 50 reais em setembro de 2014.

A empresa passou a buscar um novo sócio ou a venda de ativos após o fracasso de uma associação com a norte-americana SunEdison no final de 2015.

O braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BDESPar, foi um dos que perdeu com a desvalorização da empresa desde então, após ter colocado 261 milhões de reais na elétrica no final de 2012.

Procurado, o BNDES disse em nota que investiu na Renova para apoiar o plano de investimento da companhia, voltado à energia limpa e com potencial de gerar empregos e renda na região de seus projetos, no Nordeste.

O banco ressaltou que "tanto em operações anteriores, quanto posteriores, fundos de private equity, a Light, o mercado, a Cemig e minoritários por diversas vezes aportaram capital na companhia".

Atualmente, o BNDESpar acompanha "a busca de alternativas" da Renova, mas "não há plano específico para desinvestimento da participação" na empresa.

BROOKFIELD E CEMIG

O diretor de RI da Renova disse que a transação com a Brookfield está em andamento e que até o momento não houve um pedido dos canadenses por uma prorrogação do prazo previsto para o fechamento do negócio.

A Renova informou em 27 de fevereiro que aceitou a proposta da Brookfield para compra de seus ativos eólicos. Na ocasião, foi concedido prazo de exclusividade de 30 dias para conclusão, prorrogável por mais 30 dias.

Ferreira também foi questionado por acionistas sobre a proposta apresentada pela Cemig para compra da fatia da Renova na Brasil PCH, mas ele não quis abrir o valor da oferta e nem detalhes adicionais do negócio.

"Assim que tiver uma decisão do Conselho sobre essa proposta, se vamos aceitar ou não, ou se vamos apresentar uma contraproposta ou não, a companhia vai divulgar em fato relevante", afirmou.

(Por Luciano Costa)

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