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Novo chefe do Fed de Nova York precisará se adaptar rapidamente ao papel de Wall Street

03/04/2018 17h09

SAN FRANCISCO / NOVA YORK, (Reuters) - Como novo chefe do Federal Reserve de Nova York, John Williams levará peso intelectual ao banco central como membro permanente do comitê de definição de taxas, embora precise revelar a si mesmo como regulador e principal comunicador com bancos de investimento, como Goldman Sachs e JPMorgan.

Como economista de alta qualidade que fez uma pesquisa inovadora sobre política monetária como presidente do Fed de San Francisco, Williams também terá pela frente o desafio de se comunicar com Wall Street, da mesma forma eficiente de William Dudley.

Foi Dudley quem, em fevereiro de 2017, definiu um argumento "convincente" para um aumento nas taxas de juros antes de uma reunião de fixação de taxas e alinhou os preços de mercado sobre a direção das taxas de juros do Fed.

Williams vai substituir Dudley quando ele se aposentar em junho.

Williams, que passou 24 anos trabalhando no sistema do Federal Reserve, será responsável pela administração das operações do Fed no mercado financeiro, incluindo mais de 4 trilhões de dólares em bônus que comprou durante a crise financeira e que agora está reduzindo sistematicamente, esperando não assustar os mercados.

Um foco da pesquisa acadêmica de Williams foi mostrar como as baixas taxas de juros estão aqui para ficar, uma questão fundamental para o Federal Reserve e outros bancos centrais, na medida em que buscam elevar as taxas de juros da região de zero.

Sua falta de ligações com Wall Street poderia ser uma vantagem. Sob o comando de Dudley, ex-diretor administrativo do Goldman e economista-chefe do banco, o Fed de Nova York foi criticado por seus laços com os bancos de investimento que estava encarregado de regular.

É uma vantagem estar "sem laços profundos" com Wall Street, disse o professor da Universidade de Oregon, Tim Duy, acrescentando que Williams é esperto o suficiente para "conhecer seus pontos fracos" e usar a própria equipe do banco para qualquer conhecimento que ele não tenha.

WELLS FARGO E FALTA DE DIVERSIDADE

Embora Williams possa não condizer com alguns dos estereótipos de um presidente do Federal Reserve e economista acadêmico - é um "Trekkie"(um aficionado por Star Trek), joga jogos de computador em primeira pessoa, às vezes, usa tênis vermelhos - ele ainda é um homem branco de meia-idade.

O comitê de busca do Fed de Nova York incluiu uma procura por candidatos de minorias em seu mandato. Apenas dois dos 12 presidentes regionais do Fed não são brancos e dois são mulheres, enquanto há apenas uma mulher membro do Fed.

O cargo não está aberto à revisão do Congresso, embora Williams também tenha enfrentado críticas sobre o Wells Fargo, de San Francisco, que abriu milhões de contas de clientes fraudulentas sob seu comando.

Embora seja o Conselho do Federal Reserve que decide a supervisão bancária, em vez de presidentes regionais individuais do Fed, críticos dizem que o fato de que ele agora estará regulando algumas das instituições financeiras mais poderosas do mundo é uma preocupação.

"O histórico de Williams levanta várias questões, inclusive sobre sua capacidade de supervisionar os bancos de Wall Street devido à fiscalização inadequada do Fed de São Francisco sobre o Wells Fargo durante seus muitos escândalos", disse a senadora Elizabeth Warren na semana passada.

NÃO PRINCIPIANTE

Embora Williams tenha passado a maior parte de sua carreira no sistema do Fed, ele teve outro trabalho, com breves períodos no Conselho de Consultores Econômicos, um ou dois anos ensinando em Stanford e quatro anos pós-faculdade gerenciando a mais conhecida rede de pizza de Berkeley, Blondie's.

Apesar da falta de experiência em lidar com Wall Street, Williams não estará começando do zero, disse John Taylor, professor de Stanford que escreveu um artigo com Williams sobre um salto problemático nos spreads que se alastrou do mercado financeiro no início de 2008.

"Ele foi uma das primeiras pessoas a perceber problemas nos balanços das instituições financeiras, muito antes de a crise financeira realmente assumir o controle", disse Taylor em uma entrevista.

(Por Ann Saphir e Jonathan Spicer)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447745))

REUTERS SI ID

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