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Rivalidade entre China e EUA representa riscos e benefícios para América Latina

Por Luc Cohen

MENDOZA, Argentina (Reuters) - A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que se intensificou na quarta-feira com o governo chinês visando as principais importações dos EUA, incluindo soja, aviões e carros, em retaliação às tarifas dos EUA sobre 50 bilhões de dólares em produtos chineses, deixou a América Latina no meio, analisando riscos e oportunidades.

"Os EUA estão forçando os países da região a escolher entre os EUA e a China", disse Margaret Myers, diretora do programa América Latina e o Mundo no Diálogo Interamericano. "Está colocando os países latino-americanos em uma posição muito desafiadora e, ao mesmo tempo, não oferece uma política econômica particularmente atraente".

A China, cuja demanda por matérias-primas aumentou durante o rápido crescimento econômico nas últimas duas décadas, já é o principal parceiro comercial de países que vão do Brasil, maior exportador mundial de soja, ao pequeno Uruguai.

Em vez de celebrar uma chance de ganhar participação de mercado, o Brasil e a Argentina responderam cautelosamente às tarifas na quarta-feira. O Ministério da Agricultura brasileiro se recusou a comentar. A Argentina, terceira maior exportadora mundial de soja, disse que está "analisando a situação".

Analistas dos dois países disseram, no entanto, que as tarifas poderiam forçar a China a comprar mais soja e produtos à base de soja da América do Sul.

A guinada dos países da América Latina para a China em busca de financiamento alarmou Washington, mesmo com mudanças em sua própria política para a região.

A estratégia de segurança nacional de dezembro de 2017 de Trump diz que a China estava buscando "levar a região para dentro de sua órbita através de investimentos e empréstimos liderados pelo Estado".

David Malpass, subsecretário do Departamento do Tesouro dos EUA para assuntos internacionais, disse em uma conferência em Buenos Aires em março que o fato de a China sediar a reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) do próximo ano "não serve aos interesses do hemisfério ocidental".

Em resposta, o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, enfatizou que o BID realizará uma reunião especial para o 60º aniversário do banco em Washington no próximo ano, afirmando: "Encontramos o melhor de todos os mundos".

(Reportagem adicional de Maximilian Heath em Buenos Aires, Anthony Boadle em Brasília, José Roberto Gomes em São Paulo e Daniela Desantis em Assunção)

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