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Gestora GPS vê incógnitas no curto prazo, mas segue otimista sobre bolsa no Brasil

06/04/2018 17h02

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A GPS Investimentos Financeiros, empresa de gestão de fortunas do banco suíço Julius Baer no Brasil, mantém um cenário positivo para a bolsa brasileira, embora esteja com o pé no freio no momento diante de incógnitas no curto prazo, particularmente o processo eleitoral no país e os potenciais efeitos do recente embate comercial entre Estados Unidos e China.

    "Para aumentar a posição comprada em bolsa precisamos ver mais sinais positivos do que enxergamos hoje no Brasil e no exterior", afirmou à Reuters George Wachsmann, sócio da GPS, que tem 27 bilhões de reais em ativos sob gestão. Ele destacou, contudo, que há uma probabilidade maior de que o próximo movimento seja para comprar do que para vender.

    A visão favorável no longo prazo para o mercado acionário doméstico é embasada na expectativa de uma agenda reformista no próximo governo e do quadro externo, notadamente a disputa entre Washington e Pequim, acalmar.

    Wachsmann afirmou que o próximo presidente não terá como evitar reformas como a da Previdência, assim como alguns movimentos no lado das privatizações e das contas públicas, o que alimenta o viés de alta. "Acreditamos que passada a confusão da eleição vamos eleger alguém que vai continuar com uma agenda reformista", afirmou.

    Ele ponderou, contudo, que é bastante difícil operar política e que o cenário ainda nebuloso sobre a lista final dos candidatos à Presidência endossa alguma cautela. O que pode "azedar" os ânimos, segundo Wachsmann, é o fortalecimento de um candidato com uma "solução mágica" para os problemas do país, sem comprometimento com o controle da inflação ou das contas públicas.

    "Para o mercado, o que vale é se o novo presidente vai colocar gente competente para tocar ou não e se tem competência política para fazer isso", afirmou, citando ainda que aumentou o rigor com as promessas, se são factíveis.

    A disputa presidencial no Brasil ficou ainda mais confusa neste ano, com o imbróglio envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser preso nesta sexta-feira por condenação no caso sobre o tríplex no Guarujá (SP). Há dúvidas sobre a participação de Lula no pleito seja como candidato ou influência na campanha.

Wachsmann também chamou a atenção para os movimentos do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto às questões comerciais com a China, bem como o cenário de elevação dos juros norte-americanos que deixam o ambiente menos favorável do que estava meses atrás. "Há ainda uma inércia de otimismo nos mercados, mas os próximos meses não devem ser tão amigáveis."

Trump disse na quinta-feira que instruiu autoridades comerciais do país a avaliarem 100 bilhões em tarifas adicionais sobre a China "diante da retaliação injusta da China" contra sobretaxas impostas anteriormente pelos EUA. Em resposta nesta sexta-feira, a China alertou que está totalmente preparada para responder com um "contra-ataque feroz" de novas medidas comerciais caso os EUA sigam com a ameaça de Trump.

No caso da política monetária norte-americana, o chair do banco central norte-americano, Jerome Powell, disse nesta sexta-feira que o Federal Reserve provavelmente precisará continuar elevando a taxa de juros para manter a inflação sob controle.

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