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Moody's melhora perspectiva de rating do Brasil para estável ante negativa

09/04/2018 19h42

Por Iuri Dantas

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's melhorou a perspectiva do rating Ba2 da dívida soberana do Brasil de negativa para estável, apostando na aprovação da reforma da Previdência pelo próximo governo, após ter criticado em março o adiamento para o ano que vem da votação do projeto.

A mudança ocorre dois dias após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha liderando as pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro, mas é visto pelo mercado como menos comprometido com o ajuste fiscal e contrário à reforma das aposentadorias.

"A Moody's acredita que os riscos negativos para o crescimento e as incertezas relacionadas ao ímpeto para reformas, que levaram à atribuição da perspectiva negativa para o rating Ba2 em maio do ano passado, diminuíram", disse a agência em comunicado.

A prisão de Lula e seu possível impacto no cenário eleitoral não influenciaram a decisão da agência, disse à Reuters a analista-sênior da Moody's Samar Maziad.

"Olhamos para o perfil de crédito do Brasil como um todo e decidimos com base no contexto", disse. "A mudança imediata da perspectiva da nota se dá pela recuperação mais forte que a esperada."

No ano passado, a agência estimava que a economia brasileira cresceria 1,5 por cento neste ano, projeção que foi elevada para 2,8 por cento para este e o próximo ano e 2,5 por cento nos anos seguintes, segundo Maziad.

Em nota, o Ministério da Fazenda atribuiu a decisão da agência às ações da equipe econômica desde maio de 2016, em especial reformas estruturais e medidas de ajuste fiscal, como a aprovação do teto de gastos públicos.

"O Ministério da Fazenda reafirma seu comprometimento com a consolidação fiscal e com a recuperação da atividade econômica e do emprego", diz trecho de comunicado.

Única entre as principais agências de risco a não rebaixar o Brasil após o adiamento da reforma da Previdência, a Moody's citou a expectativa "de que reformas para preservar a sustentabilidade fiscal e estabilizar as métricas de dívida no médio prazo serão aprovadas pelo próximo governo" e o impulso dado pelo "crescimento econômico mais forte que o esperado no curto e médio prazo", para o ajuste fiscal.

Ao cortar a perspectiva da nota brasileira em maio de 2017, a agência chamou atenção para a possibilidade de que a crise política provocada pela delação premiada dos irmãos Batista travar o andamento de reformas estruturais.

Há pouco mais de um mês, a Moody's alertou que a desistência em votar a reforma da Previdência neste ano era ruim para a classificação de risco do Brasil. A demora em aprovar o texto no início do próximo governo indicará "fraqueza institucional" e pode levar à revisão do rating, disse Maziad.

EXPECTATIVAS

A Moody's não citou fato político ou econômico dos últimos dias. A agência afirmou que "espera que o próximo governo trabalhe efetivamente com o Congresso para aprovar uma reforma da Previdência que seja suficientemente abrangente, de forma a conter o crescimento de despesas obrigatórias e assegurar o cumprimento do teto constitucional".

A agência também citou "ambiente de juros e inflação baixos" e seus impactos nas contas públicas e na trajetória da dívida.

"Um aumento da demanda por crédito, na esteira da política monetária acomodatícia, e perspectivas sólidas no mercado de trabalho apoiarão a perspectiva econômica de curto prazo", afirmou a agência.

A reforma trabalhista e medidas como a eliminação de subsídios em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, também são positivos, disse a Moody's.

A demora e o adiamento da reforma da previdência levaram a Standard & Poor's a cortar para "BB-", ante "BB", o rating do Brasil. E a Fitch rebaixou para BB-, com perspectiva estável, a nota do Brasil no início do ano.

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