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Queda em venda de cimento no Brasil desacelera no 1ºtri, setor vê chance de crescimento no 2º tri

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria produtora de cimento do Brasil espera conseguir um crescimento de vendas no segundo trimestre sobre um ano antes, marcando o primeiro resultado positivo do indicador desde o início de 2015, afirmou nesta segunda-feira o presidente da associação de fabricantes do insumo, Snic, Paulo Camillo Penna.

O setor fechou o primeiro trimestre deste ano com queda de 3 por cento, a 12,593 milhões de toneladas, um desempenho que ficou aquém das expectativas da entidade diante de um regime de chuvas intenso no Norte e Nordeste no período que dificultou o andamento das vendas.

"Estamos vendo com absoluta clareza que estamos em rota de recuperação", disse Penna. "Em 2017, fechamos em queda de 6,7 por cento e estamos esperando crescimento de 1 a 2 por cento neste ano (nas vendas)", acrescentou. "A rota de recuperação está traçada, no próximo trimestre devo anunciar que o setor ficou estável ou registrou algum crescimento", disse Penna.

O presidente do Snic citou para o otimismo uma redução no número de imóveis retomados por bancos e nos estoques de construtoras e incorporadoras. "Isso nos dá margem para imaginar que há algumas iniciativas de retomada, ainda que lenta, mas real da construção civil".

Além dos bancos e do estoque do setor, Penna destacou o comportamento das vendas de vergalhões no Brasil e redução na queda das vendas de materiais de construção e no declínio dos recursos da poupança para edificações. Dados mais recentes do Instituto Aço Brasil (IABr) indicam crescimento de 5 por cento na produção de aços longos no primeiro bimestre sobre um ano antes, com vendas no mercado interno subindo quase 13 por cento.

Segundo o presidente do Snic, a desaceleração da queda nas vendas de cimento no país está ocorrendo baseada na recuperação nas obras de edificações, que assumiram uma participação de 85 por cento na demanda por cimento no país ao final do trimestre. O restante está sendo exigido por obras de mobilidade em cidades como São Paulo, disse Penna.

Do total de cimento vendido no primeiro trimestre no Brasil, o Sudeste foi responsável por 6,083 milhões de toneladas, expansão ligeira de 0,9 por cento no comparativo anual. A região foi a única a registrar crescimento no período. As maiores quedas ocorreram no Norte (14,3 por cento) e no Nordeste (10,2 por cento). No Centro-Oeste, houve queda de 1,3 por cento na venda e, no Sul, retração de 2,1 por cento.

Penna comentou que a proporção de demanda de cimento no melhor momento vivido pela indústria no país, entre 2006 e 2012, foi de 75 por cento para edificações e 25 por cento para grandes obras de infraestrutura.

Apesar da projeção de crescimento prevista para 2018, a indústria de cimento do país continuará com quase metade de sua capacidade de cerca de 100 milhões de toneladas por ano ociosa. Em 2017, o índice de ociosidade foi de 46,4 por cento, algo que poderá cair para 45 por cento neste ano se a projeção de crescimento das vendas se confirmar.

Penna afirmou que o país hoje tem 13 fábricas de cimento paralisadas. No Estado de São Paulo, que tem 13 unidades produtivas, 6 estão paradas. "As empresas não estão conseguindo colocar os preços (do cimento) no mercado e os custos seguem subindo", afirmou o presidente do Snic.

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