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Meta de déficit primário de 2019 será mantida em R$139 bi e, para 2020, vai a R$110 bi, diz fonte

12/04/2018 11h00

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo vai manter a meta de déficit primário de 2019 em 139 bilhões de reais para o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência), afirmou nesta quinta-feira uma fonte da equipe econômica, acrescentando que, no entanto, a previsão do rombo para 2020 será elevada a 110 bilhões de reais, sobre 65 bilhões de reais antes.

Segundo a fonte, que falou à Reuters em condição de anonimato, a meta de 2020 foi piorada, entre outros, porque a reforma da Previdência não foi aprovada agora. O número anterior "era irrealista".

Para 2021, o governo irá indicar rombo primário de 70 bilhões de reais para o governo central, primeiro número do período. Se confirmado, será o oitavo déficit consecutivo registrado pelo país.

Os números serão oficialmente divulgados pelo ministério do Planejamento nesta tarde, no âmbito do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019.

O novo ministro da pasta, Esteves Colnago, já havia dito que o governo trabalhava com prudência para o próximo ano e que a ideia era não criar para o próximo presidente uma restrição que não justificasse.

O rombo de 139 bilhões de reais virá bem acima da expectativa do mercado, que é de déficit primário de 107,304 bilhões de reais para o ano que vem, segundo relatório Prisma Fiscal divulgado nesta manhã. Além de fixar a meta para 2019, o texto da LDO projeta os resultados dos dois anos subsequentes.

Sem conseguir economizar para pagar os juros da dívida pública pelo menos até 2021, o Brasil deve continuar vendo a dívida bruta avançar sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Essa relação chegou a 75,1 por cento do PIB em fevereiro, conforme dados mais recentes divulgados pelo Banco Central.

A longa sequência de déficits fiscais marca o descompasso entre receitas e despesas em meio à expansão do gasto público e forte rigidez orçamentária, quadro que se deteriorou com o abalo na arrecadação provocado pela recessão econômica de 2015 e 2016.

Membros da equipe econômica têm ressaltado que o reequilíbrio fiscal só será atingido com a mudança nas regras de acesso à Previdência. O governo do presidente Michel Temer jogou a toalha em relação à reforma, tida como um dos seus projetos mais importantes, diante da falta de apoio político no Congresso e da intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro, que impede mudanças na Constituição.

(Edição de Patrícia Duarte)

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