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Cielo tem queda de 7% no lucro do 1º trimestre com redução de base

02/05/2018 19h12

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Cielo teve no primeiro trimestre mais uma rodada de queda da lucratividade, refletindo a crescente concorrência no mercado de meios de pagamentos e os efeitos da queda do juro sobre antecipação de recebíveis.

A maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país informou nesta quarta-feira que teve lucro líquido ajustado de 932 milhões de reais no período, uma queda de 7 por cento ante mesma etapa de 2017. O lucro líquido, referência para remunerar acionistas, somou 1,06 bilhão de reais, avanço de 1,1 por cento ano a ano, mas influenciado por efeito extraordinário.

O volume financeiro pago com cartões de débito e de crédito por meio dos terminais da Cielo subiu 5,6 por cento, a 152,7 bilhões de reais, refletindo a lenta recuperação da economia.

No entanto, a tática da Cielo de se concentrar em grandes clientes e de limpar a base, com a desativação de terminais com pouco ou nenhum uso, deixou suas consequências. No fim de março, a base instalada de terminais de pagamentos da Cielo era de 1,594 milhão de dispositivos, 13,6 por cento a menos do que um ano antes.

Além disso, mudanças no pagamento do Imposto Sobre Serviços (ISS) fizeram o desembolso da Cielo nessa linha crescer 19,4 por cento, para 340,3 milhões de reais. Com isso, embora a receita bruta tenha subido 1,3 por cento, a líquida caiu 0,6 por cento.

O desempenho operacional da companhia medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de 1,24 bilhão de reais nos três primeiros meses do ano, queda de 6 por cento na comparação anual. A margem Ebitda caiu 2,6 pontos percentuais, para 44,6 por cento.

No relatório, a Cielo atribuiu a queda à "contração da receita de aluguel, reflexo da queda do parque de terminais, bem como pelo efeito de mix de clientes e fraca recuperação do mix de produtos".

Em outra frente, a receita líquida da Cielo com aquisição de recebíveis foi de 463,3 milhões de reais, recuo de 25,2 por cento contra um ano antes, impactado por uma Selic menor, maior participação de grandes contas e redução das taxas cobradas.

Ainda assim, a empresa afirmou que espera que a base de clientes, bem como o número de terminais instalados, "retome trajetória positiva em algum momento mais adiante".

Nos últimos meses, as ações da Cielo têm refletido a preocupação de investidores com a crescente concorrência no setor de meios de pagamentos no país.

Esse receio cresceu após o Banco Central anunciar em março que a partir de 1 de outubro as tarifas pagas por credenciadoras para emissoras de cartões de débito, a tarifa de intercâmbio terá um teto. Esse é um dos componentes do preço que as adquirentes cobram dos lojistas nas vendas pagas com cartões.

Em abril, o JPMorgan cortou a recomendação da ação da Cielo, citando entre outros fatores a expectativa de entrada de cerca de 30 novos concorrentes nesse mercado.

Para tentar conter a perda de mercado para rivais, a Cielo tende a elevar gastos do marketing e pode conceder maiores desconto a clientes.

A própria Cielo afirmou no relatório de resultados prever "gastos, ou melhor, investimentos crescentes em marketing se façam presentes em nossos planos para o futuro".

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