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Sem outro plano B para economia, governo toca medidas que não dependem do Congresso

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Sem conseguir avançar em nenhuma das medidas econômicas eleitas como prioritárias para este ano e sem um plano de fôlego para substituí-las, o governo do presidente Michel Temer tem tocado iniciativas paralelas e menos ruidosas para a economia, que não dependem do Congresso Nacional.

À Reuters, uma fonte da equipe econômica justificou que não há mais um plano B porque qualquer grande iniciativa necessariamente envolveria o aval dos parlamentares, com o apertado calendário das eleições reduzindo a margem para vitórias.

"Está realmente difícil, o Congresso não está ajudando", afirmou a fonte, em condição de anonimato. "Todos são candidatos a algo e não querem perder votos aprovando medidas impopulares", acrescentou.

Adentrando o mês de maio, o governo ainda não conseguiu emplacar nenhuma das 15 medidas econômicas colocadas como prioritárias em fevereiro, após admitir o naufrágio da reforma da Previdência.

Com isso, seguem caminhando em ritmo lento projetos que ajudariam no reequilíbrio das contas públicas, como a reoneração da folha de pagamento das empresas e a privatização da Eletrobras -- temas que há meses já eram considerados difíceis pela própria equipe econômica.

Diante do ambiente complicado, o governo tem se engajado em frentes nas quais não depende do apoio dos parlamentares.

Nesta semana, conseguiu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) para desvinculação de recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) no cumprimento da regra de ouro das contas públicas neste ano.

Numa outra medida, o ministério do Planejamento anunciou que vai iniciar processo para vender a parte minoritária que cabe à União em milhares de imóveis, começando por um projeto piloto que deverá envolver cerca de 4 mil imóveis na área industrial de Alphaville, em São Paulo.

Por sua vez, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma série de medidas na semana passada buscando melhorar o ambiente de crédito e, na ponta, torná-lo mais barato.

Especialista em contas públicas, o analista do Senado Leonardo Ribeiro enfatizou o peso do calendário eleitoral para o moroso andamento dos trabalhos no Congresso.

"Até 7 de abril você tinha uma data para filiações partidárias, então você não tinha, por exemplo, presidências e relatorias de comissões definidas. Isso atrasou bastante o debate em torno das medidas do governo", disse ele, lembrando que pela frente há a Copa do Mundo de futebol a partir da segunda quinzena de junho e, depois disso, convenções partidárias e as campanhas propriamente ditas dos candidatos.

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