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Fundo norte-americano Elliott vence Vivendi e garante controle da Telecom Italia

04/05/2018 17h47

Por Agnieszka Flak e Stefano Rebaudo

MILÃO (Reuters) - O fundo norte-americano de hedge Elliott conseguiu superar o grupo francês de mídia Vivendi nesta sexta-feira ao assegurar o controle da Telecom Italia em uma assembleia de acionistas, em meio a uma campanha do fundo ativista para sacudir companhias dormentes em toda a Europa.

Elliott e Vivendi travavam uma disputa há dois meses sobre a Telecom Italia, com o fundo norte-americano acusando a Vivendi de servir apenas seus próprios interesses e o grupo de mídia francês dizendo que o fundo estava procurando apenas por ganhos financeiros de curto prazo. A Telecom Italia controla a TIM, no Brasil.

Na assembleia, o Elliott conseguiu nomear 10 membros independentes para o conselho de administração da Telecom Italia, assegurando dois terços dos assentos disponíveis no colegiado.

Cinco dos candidatos da Vivendi, incluindo o atual presidente-executivo da Telecom Italia, Amos Genish, e o presidente-executivo do grupo de mídia francês, Arnaud de Puyfontaine, permanecerão no conselho.

A grande questão agora é se Genish, um aliado da Vivendi e ex-presidente da Telefônica Brasil que é respeitado por Elliott, governo da Itália e outros investidores, decidirá continuar. A nova diretoria da Telecom Italia deverá se reunir na segunda-feira para nomear um presidente-executivo e um presidente de conselho para a empresa.

"A votação de hoje representa uma vitória para todos os acionistas e abre um novo capítulo para a Telecom Italia, no qual a empresa poderá construir uma base administrativa aprimorada para garantir a criação de valor sustentável para todas as partes interessadas", disse o Elliott em nota.

O fundo ativista lançou campanha para reduzir o controle da Vivendi sobre a Telecom Italia em março. O Elliot montou uma participação de 9 por cento no grupo italiano para tentar abalar o modo como a Vivendi, que possui participação de 24 por cento, administra a companhia italiana.

Genish definiu uma estratégia ambiciosa de três anos em março, que foi bem recebida pelos investidores. O executivo tem dito que sua posição seria "insustentável" se a Telecom Italia terminasse com um conselho de administração que não apoiasse sua estratégia.

Nesta sexta-feira, o fundo Elliott repetiu seu apoio a Genish e seus planos, acrescentando que ficará a critério do novo conselho e da diretoria avaliar se e quando realizar qualquer uma das iniciativas estratégicas que o próprio grupo propôs.

Elliott está intensificando suas atividades na Europa, já que vê mais oportunidades para gerar valor por meio de pressão para mudanças de gestão, divisões de empresas e acordos de fusão.

"É um sinal de mudanças que estão por vir", disse Stefano Fabiani, gerente de fundos da Zenit SGR, que investe em ações da Telecom Italia.

Ele disse que as idéias propostas pelo Elliott, incluindo spin-off, venda parcial da empresa de redes que será criada em breve, conversão de ações preferenciais, retorno aos dividendos e potenciais vendas de ativos "agora assumem um particular significado".

A Vivendi reiterou sua participação de longo prazo na Telecom Italia.

"Estaremos atentos para garantir que os diretores independentes eleitos com a chapa de Elliott não pressionem pela divisão da Telecom Italia", disse um porta-voz da Vivendi.

Desde que se tornou acionista da Telecom Italia em 2015, a Vivendi gradualmente ampliou controle sobre o grupo, indicando a maioria do conselho no ano passado e seu próprio presidente-executivo como presidente do colegiado, tudo em nome da ambição do bilionário francês Vincent Bollore de criar um império de mídia no sul da Europa.

Dois presidentes-executivos da Telecom Italia deixaram a companhia por causa de confrontos com a Vivendi.

Questionado sobre o resultado da assembleia, o porta-voz da Vivendi afirmou que "ficamos surpresos com isso...como um acionista com dinheiro do governo (italiano) pode votar junto com um fundo de hedge com visão de curto prazo."

As ações da Telecom Italia, que acumularam valorização de 15 por cento desde que o Elliott começou a campanha para mudanças na empresa no início de março, fecharam em alta de 2,15 por cento nesta sexta-feira após a assembleia. As ações da TIM subiram 0,65.

(Por Stephen Jewkes)

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