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Gerdau mira margem de 2 dígitos na América do Norte

09/05/2018 13h22

SÃO PAULO (Reuters) - A Gerdau avalia que os preços de aço nos Estados Unidos deverão subir nos próximos trimestres em ritmo acima ao do avanço dos custos com insumos, o que deve ajudar a companhia a atingir objetivo de obter margem operacional de dois dígitos.

O grupo siderúrgico divulgou mais cedo lucro líquido ajustado de 451 milhões de reais para o primeiro trimestre, resultado que reverteu prejuízo de 34 milhões sofrido um ano antes, em um desempenho apoiado por aumento na demanda por aço e nos preços da liga na América do Norte e no Brasil.

"Temos oportunidade de evoluir desempenho e performance na América do Norte. Nosso objetivo é subir a margem Ebitda para 2 dígitos", disse o presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, em teleconferência com jornalistas. Ele não especificou quando a empresa poderá atingir o objetivo.

"O primeiro trimestre teve forte alta de custo de matéria-prima e conseguimos repassar para o mercado, nos próximos meses os movimentos do aço devem ser superiores ao custo de matéria-prima, com aumento de demanda, o que deve melhorar margens", acrescentou o executivo, afirmando que as importações de aço nos EUA caíram 35 por cento no primeiro trimestre.

No primeiro trimestre, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Gerdau na operação da América do Norte, formada por EUA, Canadá e México, subiu de 4,3 por cento um ano antes para 5,6 por cento.

As ações da Gerdau estavam entre as maiores altas do Ibovespa, avançando 5,3 por cento às 13:19, enquanto o índice tinha alta de 1,22 por cento.

Segundo Werneck, a Gerdau está preparada para aproveitar aumento na demanda por aço nos Estados Unidos causado pelo protecionismo de Donald Trump e vai investir 240 milhões de reais este ano em ampliação da capacidade de usina de aços especiais em Munroe, no Michigan, para 720 mil toneladas anuais. Na avaliação da companhia, o uso da capacidade instalada da empresa nos próximos meses deverá subir dos atuais 80 por cento para 85 por cento.

A divisão de aços especiais da Gerdau teve crescimento de cerca de 28 por cento na receita líquida do primeiro trimestre sobre um ano antes e o Ebitda disparou 63 por cento, impulsionada pela maior demanda por veículos tanto na América do Norte quanto no Brasil.

A produção brasileira de veículos subiu cerca de 15 por cento no primeiro trimestre, guiada pela alta de vendas no mercado interno e crescimento de exportações.

Questionados sobre o impacto da forte alta de juros na Argentina decidida na semana passada, destino de 75 por cento das exportações de veículos do Brasil de janeiro a abril, o vice-presidente financeiro da Gerdau, Scardoelli comentou que ainda é cedo para fazer estimativas.

"A Argentina representa 5 por cento de nossos negócios...Volatilidades de curto prazo não têm impacto muito grande em nosso desempenho. Estamos bastante tranquilos", afirmou o executivo.

Segundo a associação de montadoras de veículos do Brasil, Anfavea, as exportações totais brasileiras são responsáveis atualmente por cerca de 30 por cento da produção nacional de veículos. Apesar disso, Scardoelli comentou que a Argentina "é apenas um dos mercados que atendemos a partir do Brasil. Nossa operação consegue mitigar estes riscos com diversificação de clientes. Temos confiança de que a divisão de aços espceciais tem condição de manter o patamar de rentabilidade".

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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