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Relator vê projeto de privatização da Eletrobras no Senado na 1ª semana de junho

Por Leonardo Goy e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O projeto de lei de privatização da Eletrobras deverá ser votado em uma comissão na Câmara dos Deputados na última semana de maio e poderá chegar para apreciação do Senado no começo de junho, disse nesta quinta-feira (10) o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), relator da proposta na Câmara, ao apresentar seu relatório com modificações.

Segundo Aleluia, o texto poderia ir diretamente para o Senado após passar na comissão, mas com apenas 50 assinaturas de parlamentares a oposição pode obrigar o Plenário da Câmara a dedicir se a matéria será votada na Casa.

"Eles certamente conseguirão, podem recorrer ao Plenário, e o Plenário decidirá", afirmou.

Ele ressaltou, no entanto, que avalia que já houve discussão suficiente, e em sua opinião a proposta poderia seguir diretamente para os senadores.

A tramitação do projeto sobre a Eletrobras na Câmara tem sido lenta, devido a uma forte resistência de partidos de oposição ao presidente Michel Temer e a uma atuação da base do governo vista por consultores políticos como "desorganizada".

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marum, disse em abril que a medida deveria ser aprovada pelo Congresso Nacional até o final de maio.

Arrecadação pode passar de R$ 12 bi, diz relator

O deputado apresentou seu relatório sobre a medida nesta quinta-feira, com algumas alterações no texto original, como uma obrigação maior de repasses da empresa a um fundo setorial, com o objetivo de reduzir tarifas.

Ele também afirmou que a proposta pode permitir que o governo arrecade com a privatização até mais que os cerca de R$ 12 bilhões previstos anteriormente.

"A Eletrobras vai se recuperar, o governo vai continuar o principal acionista, o Tesouro vai conseguir tirar recursos como pretende. Os recursos certamente serão maiores que os R$ 12 bilhões originalmente pensados", disse.

Mais cedo nesta quinta-feira, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, disse que eventuais novas exigências feitas à companhia no projeto de lei poderiam reduzir a arrecadação pretendida pelo governo no processo de privatização.

O relatório de Aleluia, no entanto, prevê que os custos com o rio São Francisco e o aporte no Cepel serão levados em consideração no momento de estimar o valor adicionado às concessões e o pagamento das outorgas ao governo.

Aumento nos repasses da Eletrobras

O novo texto do projeto de lei define que a Eletrobras deverá repassar à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) 40% do valor adicionado a suas concessões com uma renovação dos contratos por 30 anos prevista em meio à desestatização, ante um terço previsto na matéria original.

Essa ampliação, segundo Aleluia, "contribui para a modicidade tarifária".

A CDE banca diversos subsídios no setor, e uma injeção de recursos pela Eletrobras no fundo ajudaria a reduzir a pressão sobre as tarifas dos consumidores ou até a baixá-las.

O deputado também acrescentou em seu relatório previsão de direcionamento pela Eletrobras de R$ 170 milhões anuais para o Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), que já é controlado pela estatal.

Outra obrigação da companhia, não financeira, será a destinação, pela subsidiária Chesf, da energia elétrica necessária para a operação da transposição do São Francisco.

Segundo Aleluia, a transposição tem custos de operação e manutenção de mais de R$ 500 milhões por ano, dos quais "cerca de 60% correspondem a despesas com energia elétrica".

Governo terá poder de veto

O relatório manteve algumas regras já previstas para a privatização, como a criação de uma ação preferencial de classe especial de propriedade exclusiva da União, a "golden share", que permitirá ao governo poderes de veto em alguns temas estratégicos, como modificação de sedes ou nome da empresa e suas subsidiárias.

O texto também continua a propor um limite de até 10 por cento para a participação de qualquer grupo de acionistas na companhia, além de uma proibição a acordos de acionistas para criar blocos que tenham poder de voto maior que esse limite.

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