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JBS não vê alívio relevante nos custos de grãos à frente

SÃO PAULO (Reuters) - A JBS tem trabalhado para reduzir despesas gerais e administrativas para compensar a pressão de custos estruturais, notadamente de grãos, que a empresa acredita vão se manter em um patamar mais elevado, de acordo com o diretor global de operações da companhia de alimentos, Gilberto Tomazoni.

"Na questão dos custos de grãos, não vamos ter, daqui para a frente, um arrefecimento muito grande, talvez uma queda de 7 a 10 por cento, não muito mais do que isso", afirmou o executivo, em teleconferência sobre o resultado da companhia no primeiro trimestre, divulgado na véspera, acrescentando que o patamar mais elevado veio para ficar.

A maior processadora de carnes do mundo informou na segunda-feira que teve lucro líquido de 506,5 milhões de reais no período, alta de 43,5 por cento ano a ano. Incluindo a fatia dos minoritários, o lucro foi de 588,2 milhões de reais, avanço de 41,1 por cento contra um ano antes

No período, as despesas administrativas e gerais caíram 8,4 por cento, para 1,2 bilhão de reais, ou 3 por cento da receita, contra 3,5 por cento um ano antes.

Às 11:38, as ações da companhia subiam mais de 2 por cento, enquanto o Ibovespa tinha queda de quase 1 por cento.

Executivos da JBS afirmaram que, na divisão Seara, unidade de processamento de aves e suínos no Brasil, o foco foi buscar rentabilidade, com aumento de preços dos industrializados, o que impactou os volumes, com uma queda de 5 por cento na base trimestral, principalmente dos produtos de menor valor agregado. Ainda assim, eles afirmaram que a unidade está operando com níveis normais de estoques.

Tomazoni afirmou que a Seara, que registrou queda de 2,7 por cento na receita líquida no primeiro trimestre ano a ano, teve uma pequena redução na participação de mercado nesses primeiros meses, mas que já mostra recuperação nas leituras mais recentes.

Ele disse que a companhia não conseguiu repassar para os preços o que precisava para fazer frente ao maior custo estrutural, e que a companhia tem procurado focar em produtos de maior valor agregado para recuperar margens. A maior oferta de carne de frango no Brasil, segundo a JBS, fez o preço do produto cair 9,1 por cento.

Ele avalia que novos repasses de preços neste ano dependerão muito das condições estruturais do mercado e que o ambiente é desafiador. Mas reforçou que o foco da companhia é rentabilidade e que vai buscar ganhar market share por "preferência do consumidor", não com briga de preço.

Tomazoni acrescentou que o negócio de bovino da companhia no Brasil também segue com um cenário desafiador, conforme vem enfrentando aumento da competitividade na compra do gado e excesso de carne no mercado em razão da abertura de fábricas, com efeito negativo para as margens.

Ele disse que a companhia está focada em produtos de maior valor agregado e mercados mais rentáveis, tanto do lado doméstico como no exterior, a fim de mitigar o cenário adverso.

Em relação ao acordo de normalização de dívida com bancos no Brasil, anunciado também na segunda-feira, executivos da JBS destacaram que a previsão é de manutenção das condições dos contratos.

"O acordo com bancos é preservação de linhas, não muda o perfil da dívida", disse o presidente do conselho de administração e diretor de Relações com Investidores, Jeremiah O‘Callaghan.

Conforme anunciado na véspera, os bancos manterão linhas de crédito de cerca 12,2 bilhões de reais por 36 meses a partir de julho. A partir de janeiro de 2019, a JBS deve começar a amortizar cerca de 25 por cento do principal da dívida até fim do período, em julho de 2021.

(Por Paula Arend Laier)

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