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Vitol, Glencore e Shell disputam ativos nigerianos da Petrobras

Julia Payne

De Londres

Os três maiores negociadores de petróleo do mundo estão disputando a compra do braço africano da Petrobras, que detém participações em dois grandes blocos, disseram pessoas da indústria e bancos nigerianos com conhecimento do assunto, após apresentarem lances no início deste mês.

Em novembro passado, a estatal colocou a venda 100% da Petrobras Oil & Gas como parte do plano da empresa altamente endividada de obter US$ 21 bilhões em ativos até o final de 2018.

A Petrobras detém metade das ações da empresa, enquanto 40% pertencem a uma subsidiária do Grupo BTG Pactual e 10% a Helios Investment Partners.

Os banqueiros estimaram que o valor do empreendimento seria de cerca de US$ 2 bilhões.

A unidade tem participações em dois blocos offshore que contêm dois campos de produção, Agbami, que é operado por uma afiliada local da Chevron, e o campo de Akpo, operado pela Total.

A venda atraiu as principais negociadoras que estão sempre em busca de suprimentos de petróleo de longo prazo. Mercuria e BP ambém tinham seu potencial.

A Vitol fez uma oferta em conjunto com a Delonex, subsidiária petrolífera da empresa norte-americana de private equity Warburg  Pincus, e a canadense Africa Energy Corp, uma empresa de exploração de petróleo e gás que faz parte do sueco Lundin  Group.

A Glencore se uniu à empresa nigeriana Seplat e à francesa Maurel & Prom, que é majoritariamente do governo indonésio. A estatal petrolífera da Indonésia, Pertamina, também apoia a Maurel & Prom e detém uma participação de 20% na Seplat.

O terceiro licitante foi a Famfa Oil, empresa privada, juntamente com a Royal  Dutch Shell.

A Famfa Oil é uma das concessionárias da operadora do campo de Agbami, juntamente com a Chevron, a Statoil e a Petrobras. A Chevron detém a participação majoritária.

Vitol, Glencore, Shell, Africa Energy não comentaram o assunto, enquanto Maurel, Famfa e Seplat não responderam aos pedidos de comentários.

Decisão até o fim de maio

A Petrobras deve tomar uma decisão até o final de maio. Mas as fontes disseram que isso poderia ser adiado, já que ainda havia uma possibilidade de que as ofertas pudessem ser divididas entre os dois blocos.

O Agbami produz cerca de 240 mil barris por dia, enquanto o campo Akpo produz quase 130 mil barris diariamente, e um terceiro campo Egina deve entrar em operação no mesmo bloco no final deste ano.

Basta cavar para achar petróleo?

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