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Enel prevê ampliar investimento da Eletropaulo em 36%, mantém apetite no país

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo italiano Enel prevê aumentar os investimentos da Eletropaulo para 300 milhões de dólares ao ano entre 2019 e 2021, uma expansão de cerca de 36 por cento ante o nível de aportes da companhia entre 2015 e 2017, que ficou em 220 milhões de dólares, disse a jornalistas o presidente da Enel para o Brasil, Carlo Zorzoli.

O anúncio vem após a Enel fechar nesta semana a aquisição do controle da Eletropaulo por 5,55 bilhões de reais, tornando-se com isso a maior empresa do setor elétrico do Brasil em faturamento.

Os italianos venceram uma disputa aberta pela distribuidora de energia paulista que começou ainda em março e envolveu ofertas de aquisição apresentadas também pela Neoenergia e pela Energisa.

A oferta vencedora da Enel pelo negócio foi de 45,22 reais por ação, contra 39,53 reais da proposta da Neoenergia, que é controlada pelo grupo espanhol Iberdrola.

O lance da Enel inclui ainda o compromisso da empresa de realizar um aumento de capital de pelo menos 1,5 bilhão de reais na Eletropaulo.

"A Eletropaulo na nossa opinião não realizou todos os investimentos que precisava para manter o nível de qualidade do serviço, então com a aquisição temos um plano... que vai investir 900 milhões de dólares de 2019 a 2021 para melhorar a qualidade do serviço e melhorar a digitalização", disse Zorzoli.

A Enel já ficou com cerca de 73 por cento da Eletropaulo após um leilão na segunda-feira em que a companhia apresentou sua proposta aos acionistas da distribuidora.

Agora, os acionistas da Eletropaulo que ainda não venderam seus papéis terão até 4 de julho para decidir se querem negociá-los com a Enel pelo mesmo preço do leilão.

A Enel Sudeste, subsidiária da companhia no Brasil, financiará a aquisição com um financiamento bancário de curto prazo organizado e garantido por sua controladora, a Enel Américas, no Chile.

Segundo Zorzoli, a companhia está pronta para comprar até a totalidade da Eletropaulo se necessário, e financiamento será feito em reais, para que a empresa não assuma risco cambial. A operação terá prazo de 9 a 18 meses, com possibilidade de pré-pagamento.

"Essa dívida não vai para a Eletropaulo, é o financiamento da compra. E vamos ainda fazer o aumento de capital que vai fortalecer o patrimônio da Eletropaulo.... acreditamos na necessidade de ter uma distribuidora em São Paulo com um balanço, um patrimônio, mais forte, para poder fazer frente às necessidades futuras", disse.

Analistas da Brasil Plural disseram em nota que a proposta da Enel representa uma relação de 2,7 vezes entre o valor da Eletropaulo e sua base de ativos, a mais elevada já paga por um ativo de distribuição de energia no Brasil desde 2016, quando a corretora começou a cobrir o setor.

Apesar do elevado valor, Zorzoli disse que avalia que a transação envolveu um "preço justo" e dentro dos níveis previstos pela Enel.

"A companhia tem capacidade financeira para fazer essa aquisição sem problema nenhum, mas também tem a capacidade de seguir investindo, e não só no Brasil... pode parecer um preço elevado, mas não compramos a companhia para ela ser como está hoje", apontou.

Ele disse que a Enel espera agregar conhecimento e tecnologia às operações da Eletropaulo, além de sinergias com suas operações globais de distribuição --o que deve permitir a compra de equipamentos a preços mais baixos, por exemplo.

PLANOS FUTUROS

O executivo disse que a Enel ainda está de olho nas oportunidades futuras de ganhos que surgirão conforme a tecnologia de carros elétricos avançar no Brasil e com um esperado crescimento do mercado livre de eletricidade, no qual grandes clientes podem negociar a compra de energia diretamente com fornecedores.

O governo brasileiro tem prometido realizar uma reforma no setor elétrico que abriria gradualmente o mercado livre para novos clientes, inclusive os residenciais, o que é previsto para o final da próxima década.

"Em São Paulo, vemos essa área além da concessão de distribuição. É uma oportunidade para o desenvolvimento comercial fora do mercado regulado... é uma plataforma para desenvolver nosso negócio", afirmou.

"Queremos depois oferecer aos clientes livres ou que serão livres nos próximos anos a chance de comprar energia no mercado livre junto à Enel", adicionou.

A Enel opera distribuidoras no Rio de Janeiro, no Ceará e em Goiás, além de possuir ativos de transmissão e geração, com destaque para fontes renováveis.

"A história da Enel no Brasil não acaba com a Eletropaulo, a gente segue mirando oportunidades", afirmou Zorzoli, que não quis comentar o interesse em ativos específicos.

Ele afirmou, no entanto, que a empresa pretende seguir com investimentos relevantes na área de energia limpa, onde ocupa posição de destaque como líder em capacidade de geração solar no Brasil.

(Por Luciano Costa)

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