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Bolsonaro diz que não vai aumentar impostos e rejeitará "toma lá da cá" com Congresso

BRASÍLIA (Reuters) - O pré-candidato do PSL à Presidência, deputado Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira que, caso eleito, não vai aumentar impostos, pontuando que não haverá taxação sobre grandes fortunas e heranças, e assegurou que em sua eventual gestão não vai haver barganha com o Congresso Nacional.

Em sabatina com pré-candidatos a presidente realizada pelo jornal Correio Braziliense, Bolsonaro disse que medidas voltadas para aumento da tributação acabam por "tirar de quem está produzindo" no país.

"Se depender de mim, ninguém mais vai ser tributado, ao contrário, isso vai quebrar o Brasil", afirmou o pré-candidato, que lidera as pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto nos cenários sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso há quase dois meses e deve ser impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa.

Questionado sobre uma eventual correção da tabela do imposto de renda, Bolsonaro disse que é preciso "pensar e recuperar esse confisco dos últimos anos".

Instado a apresentar sua proposta de reforma tributária, o pré-candidato afirmou que o projeto está pronto, mas só vai apresentá-lo na "época oportuna". Disse apenas que vai ser "uma das piores", porque é uma das verdadeiras.

Bolsonaro defendeu também uma realização da reforma da Previdência gradual, não a que o governo do presidente Michel Temer apresentou. "Se quiser resolver tudo, não vai", avaliou. Para ele, o "grande problema" é o serviço público, mas também é preciso combater as fraudes no sistema previdenciário.

"Hoje grande parte concorda comigo, vai devagar e sempre que chegaremos lá", disse ele, sobre o ritmo que adotaria no caso da promoção de uma reforma. "A ideia é uma nova Previdência surgindo, quem quiser ir para ela vai, mas com algumas mudanças", afirmou, lacônico.

Sem dar muitos detalhes, o pré-candidato defendeu que é preciso desregulamentar e desburocratizar ações no país e diminuir o tamanho do Estado. Ele também foi lacônico sobre se privatizaria estatais, ao destacar que o país está dividido sobre essa questão. Contudo, sinalizou que não mexeria na Petrobras, a qual classificou como empresa estratégica.

Em uma referência às estradas, o candidato do PSL afirmou que o país tem um modal de transporte que "não dá mais" e sugeriu que, diante da falta de dinheiro do governo para mudar, vai tentar parcerias com a iniciativa privada e investir em outros meios que não o rodoviário.

Em entrevista após a sabatina, o pré-candidato se valeu de um discurso diferente do adotado em entrevista à Reuters em setembro do ano passado em relação a parcerias comerciais com a China. Ele disse agora que vai continuar sendo parceiro dos chineses. "Eu não quero que nenhum país do mundo compre o Brasil. Negócio vamos fazer com todo mundo e a China é excepcional parceiro", destacou.

Na entrevista à Reuters, Bolsonaro havia dito que a China está "tomando conta do Brasil" e que isso é um fator de preocupação. Na ocasião, disse que iria privilegiar uma política para limitar a compra de empresas brasileiras por parte de investidores chineses.

CONGRESSO

Bolsonaro afirmou ainda que não vai ter uma relação com o Congresso baseada no "toma lá, dá cá" e elogiou o documento divulgado na véspera por integrantes do chamado "centrão". "A política tem que ser feita com verdade", disse. "Se é para fazer a mesma coisa, vote em outro, se achar que não vou governar sem entregar estatais, ministérios, votem em outro", destacou.

Numa manifestação polêmica, o pré-candidato defendeu a possibilidade de forças de segurança pública envolvidas em operações de combate à criminalidade serem isentas de punição, o que ele chamou de "exclusão de ilicitude". Também sugeriu uma nova flexibilização nas regras para porte de arma.

"Hoje em dia (o cidadão) não tem paz nem dentro de casa. Por que não permitir no estatuto do desarmamento, dar uma baita flexibilizada no porte de arma?", questionou, ao cobrar que a questão da segurança seja, sim, tratada com "radicalismo".

Bolsonaro afirmou ser natural a desconfiança em relação a seu nome porque ele é militar e não conta com a simpatia de setores da sociedade. Disse ser uma pessoa de palavra. "Querem me derrubar porque estou na frente, né?", disse.

Na linha de defesa do que considera ser os bons costumes, o pré-candidato disse que a família tradicional é importantíssima e defendeu a proibição no ensino fundamental de questões ligadas à sexualidade, como iniciativas da comunidade LGBT. "Não leva a nada, leva apenas a estimular a criança a entrar na vida sexual mais cedo", criticou.

(Reportagem de Ricardo Brito e Maria Carolina Marcello)

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