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Brasil deixou de exportar US$240 mi em carne bovina por protestos, diz Agroconsult

07/06/2018 16h46

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deixou de gerar 240 milhões de dólares em receita com exportação de carne bovina em maio frente o esperado, em razão dos protestos de caminhoneiros, disse nesta quinta-feira a Agroconsult, que estima perdas bilionárias para a cadeia produtiva da pecuária de corte nacional pelo mesmo motivo.

A expectativa, antes dos protestos, era de que as exportações de carne bovina do país somassem 384 milhões de dólares em maio, segundo consultoria.

As manifestações, desencadeadas pela alta do diesel, duraram mais de dez dias e afetaram diversos setores da economia.

No agronegócio, a indústria de carnes de aves e suína também sofreu perdas elevadas: cerca de 300 milhões de dólares deixaram de ser gerados com a exportação de carne de frango, cuja expectativa inicial era de vendas de 518 milhões; no caso da suína, a "frustração" foi de 60 milhões de dólares, enquanto o segmento esperava embarcar 100 milhões de dólares no mês passado, disse Nogueira.

No caso da bovinocultura, os bloqueios de estradas e a falta de caminhões reduziram o escoamento de carne, explicou o sócio e coordenador de pecuária da consultoria, Mauricio Palma Nogueira, que ressalntou que a ex.

"Em relação a abril, a frustração com as exportações foi de 180 milhões de dólares por causa da greve”, comentou ele, durante evento em São Paulo para apresentação do Rally da Pecuária 2018, expedição que a consultoria realizará a partir deste mês pelas principais áreas produtoras de gado do Brasil, o maior exportador mundial da carne bovina.

Conforme cálculos apresentados por ele, a cadeia produtiva da pecuária de corte, desde produtores até empresas de insumos, registrou perdas superiores a 11 bilhões de reais em negócios não realizados por causa dos protestos.

"Isso é o que deixou de ser movimentado... Existe a possibilidade de reverter, mas só se tivermos um cenário inflacionário, com preços mais altos da carne bovina. A única forma é por preço”, disse.

"Acredito que temos fôlego para isso, demanda, tem trabalho para reforçar mercado...", ponderou Nogueira, que vê a concorrência com as outras carnes e a retomada dos embarques como fatores altistas para a proteína bovina.

CONFINAMENTO

O sócio da Agroconsult afirmou ainda que a tendência de confinamento de bovinos neste ano no Brasil é de estabilidade ou alta ante os pouco mais de 5 milhões de cabeças observados no ano passado.

Segundo ele, o cenário de alta para os preços de carne e da arroba do boi gordo responderiam por esse cenário.

(Por José Roberto Gomes)

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