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Petrobras arremata 3 blocos no pré-sal e amplia parcerias com gigantes do setor

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras reafirmou seu domínio no pré-sal nesta quinta-feira ao bancar lances elevados que garantiram à companhia o status de operadora dos consórcios vencedores nos três blocos que foram negociados na 4ª rodada de licitação sob o regime de partilha de produção.

A petroleira não figurou originalmente em dois dos consórcios vencedores, mas exerceu seu direito de preferência, garantido por lei em leilões do pré-sal, e aceitou elevar seus lances para integrar os grupos ganhadores. Dessa forma, formou novas parcerias com gigantes globais do setor que não são novidade para estatal brasileira.

Um consórcio formado pela norueguesa Equinor, a norte-americana Exxon Mobil e a Petrogal, subsidiária da portuguesa Galp, fez o lance mais agressivo da rodada, oferecendo ao governo um percentual de excedente em óleo de 75,49 por cento, mais de três vezes maior que o mínimo estipulado para o bloco Uirapuru, na Bacia de Santos.

Uirapuru, disputado por quatro consórcios, formados por 11 das 16 inscritas para a rodada, foi arrematado ainda por um bônus de assinatura fixo de 2,65 bilhões de reais.

Após a Petrobras integrar o consórcio, como operadora e 30 por cento de participação, Equinor e Exxon ficaram com 28 por cento cada uma e a Petrogal com 14 por cento.

"Estamos muito satisfeitos e continuamos com a premissa de aumentar o portfólio exploratório da companhia", disse o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, explicando que os aportes necessários para levar as áreas já estão considerados nos investimentos da empresa previstos para o ano.

Com os dois outros blocos arrematados --Três Marias, na Bacia de Santos, e Dois Irmãos, na Bacia de Campos-- o governo arrecadou um total de 3,15 bilhões de reais em bônus de assinatura. O leilão deve resultar ainda em investimentos exploratórios de 738 milhões de reais.

Um quatro bloco ofertado na rodada, chamado Itaimbezinho, não recebeu ofertas.

No caso de Três Marias, o consórcio originalmente formado por Shell e Chevron apresentou lance de 49,95 por cento de excedente em óleo à União, versus um percentual mínimo de 8,32 por cento.

Após perder com seu lance inferior, a Petrobras passou a integrar o consórcio, com 30 por cento de participação. Shell ficou então com 40 por cento, enquanto Chevron com 30 por cento. Já o bloco Dois Irmãos foi arrematado pelo único consórcio a realizar um lance, formado por Petrobras como operadora, com 45 por cento de participação, BP (30 por cento) e Statoil (com 25 por cento), que ofereceu à União 16,43 por cento de excedente em óleo, sem ágio.

ESTRANGEIRAS NO PRÉ-SAL

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que o leilão foi um "sucesso estrondoso".

"Se a gente não considera o resultado desse leilão um sucesso maravilhoso, eu gostaria de saber qual a definição de um sucesso maravilhoso em um leilão de áreas de exploração de petróleo contratando 75 por cento da áreas; no mundo, historicamente, nos grandes leilões, a média é de 5 a 15 por cento", disse Oddone.

Autoridades e executivos das gigantes petroleiras que vieram ao Rio de Janeiro para participar da rodada não viram interferência no leilão das novas polêmicas envolvendo preços de combustíveis da Petrobras no Brasil.

Discussões e pressões sobre a política de preços da estatal levaram à renúncia de Pedro Parente, amplamente apoiado pelo mercado financeiro, do cargo de presidente da Petrobras na última sexta-feira. Monteiro, diretor financeiro, foi rapidamente eleito.

André Araujo, presidente da Shell no Brasil, uma das principais parceiras da Petrobras no pré-sal, disse que "deu para ver que não" houve influência negativa da polêmica no leilão.

"A gente investiu e a gente 'bidou' bem hoje", comemorou Araújo.

O presidente da Equinor no Brasil, Anders Opedal, também não viu interferência.

"Nós realmente não fizemos uma conexão com os preços dos combustíveis e as rodadas de licitação. É um processo bastante independente... Estamos aqui para o longo prazo. Fizemos investimentos que nos levarão para além de 2050 no Brasil, então estamos realmente casados com o Brasil", disse Opedal.

A petroleira norte-americana ExxonMobil também confirmou seu interesse em investir no país, evitando fazer comentários sobre preços de combustíveis.

"Queria dizer que estou muito contente com o resultado da rodada de hoje... Em poucos meses, a ExxonMobil passou de 2 blocos para 25 blocos, também fortalecida com essa parceria de longo prazo com a Petrobras e outros parceiros... Hoje é um grande dia para o Brasil", disse a presidente da ExxonMobil no Brasil, Carla Lacerda.

O secretário do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que representa as petroleiras no Brasil, Antonio Guimarães, foi na mesma linha.

"Atraiu todos os maiores 'players' que têm capacidade de atuar no pré-sal. Todo o trabalho que o governo fez na estrutura regulatória traz esse bom resultado", completou Guimaraes.

(Com reportagem adicional de Brad Haynes e Alexandra Alper)

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