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Petroleiros reafirmam greve, mas avaliam riscos jurídicos para marcar data, diz FUP

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os petroleiros reafirmaram uma greve por tempo indeterminado contra a privatização da Petrobras, mas uma data para o seu início irá depender de avaliações jurídicas diante do risco de multas milionárias que pairam sobre a categoria devido ao último movimento no mês passado.

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) Simão Zanardi explicou que a greve foi reafirmada pelas direções sindicais durante o Conselho Deliberativo da federação na véspera e uma reunião do jurídico da FUP com sindicatos irá definir os próximos passos, em 15 de junho.

"A FUP ainda vai falar qual será o melhor momento para a greve", disse Simão, por telefone.

A federação representa 12 sindicatos de trabalhadores da Petrobras.

O sindicalista explicou que os sindicatos foram notificados na terça-feira pela Justiça por terem descumprido decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que declarou ilegal a greve dos petroleiros realizada entre 30 e 31 de maio.

Os sindicatos têm 10 dias para responder e tentar evitar multas.

No primeiro dia de greve, foram fixadas multas de 500 mil reais caso houvesse piquetes ou greves. No segundo dia, as multas subiram para 2 milhões de reais para os dois atos, forçando os petroleiros a interromper o movimento.

Dessa forma, segundo Simão, os sindicatos poderão ser multados em cerca de 5 milhões de reais.

Com duração de menos de 42 horas, o movimento chegou a ter a adesão de 25 plataformas da Bacia de Campos --responsável por metade da produção do país--, além de diversos terminais e refinarias, segundo sindicatos.

A programação era que fosse apenas uma greve de advertência, com 72 horas de duração. Para a FUP, "o movimento foi vitorioso, pois politizou e ampliou a luta em defesa da soberania energética. A criminalização da greve, no entanto, requer dos petroleiros novas estratégias de luta".

A greve pedia, entre outras coisas, a saída do então presidente da Petrobras Pedro Parente, que deixou a companhia em meio aos protestos de caminhoneiros contra o elevado preço do diesel.

"Vamos iniciar essa greve e achamos que vai ser de impacto. Não será essa semana, mas pode ser qualquer dia a partir da semana que vem. Estamos apostando no segredo do movimento", disse o diretor da FUP Deyvid Bacelar.

"Estamos bolando uma estratégia para driblar a questão da multa que foi pesada. Estamos buscando uma forma de fazer uma greve dentro da legalidade que evite penalidade."

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