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Petrobras lucra R$ 10,07 bilhões no 2º tri, melhor resultado desde 2011

Dado Galdieri - 11.jul.2013/Bloomberg
Imagem: Dado Galdieri - 11.jul.2013/Bloomberg

Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

03/08/2018 08h37Atualizada em 03/08/2018 14h04

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 3 Ago (Reuters) - A Petrobras reportou nesta sexta-feira (3) o melhor resultado trimestral desde o segundo trimestre de 2011, com um lucro de mais de R$ 10 bilhões favorecido por uma alta nos preços do petróleo Brent, recebimentos bilionários de desinvestimentos e melhora no resultado financeiro.

Um ganho de participação no mercado de derivados no Brasil, em meio a limites a importações de diesel de terceiros decorrentes do programa de subsídios, também colaborou para o resultado, que veio acima da expectativa do mercado.

O lucro líquido da companhia disparou mais de 3.000% entre abril e junho, ante os R$ 316 milhões mesmo período do ano passado, quando o resultado foi afetado pela adesão da petroleira a um programa de regularização tributária do governo.

Houve ainda um crescimento de cerca de 45% na comparação com o lucro líquido do primeiro trimestre, refletindo o crescimento do market share de diesel e gasolina, devido à redução de importação por terceiros, resultando em crescimento de 6% das vendas no mercado interno, com destaque para o diesel.

O aumento da participação de mercado da Petrobras ocorreu enquanto concorrentes tiveram dificuldades para importar diesel, em meio à implementação de um programa governamental de subsídios em junho, após a paralisação dos caminhoneiros contra os altos preços do combustível.

O market share do diesel, derivado mais vendido no Brasil, saltou 10 pontos percentuais em junho em relação a março, para 87%.

A Petrobras reportou também maiores margens nas exportações de petróleo, devido ao aumento do petróleo Brent, que segundo a empresa subiu quase 50%, para US$ 74,35/barril, no segundo trimestre versus o mesmo período do ano passado.

"De um modo geral, a companhia se beneficia do aumento do petróleo Brent, por ser uma grande produtora... mas não adianta o Brent subir se a companhia não estiver preparada para se beneficiar desse aspecto, e a forma é reduzindo seus custos", afirmou o presidente-executivo da empresa, Ivan Monteiro, em entrevista a jornalistas.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado subiu cerca de 57% ante o segundo trimestre do ano passado, para R$ 30,07 bilhões.

Monteiro também admitiu que o programa de subsídios do governo reduziu importação de terceiros, mas disse que está sendo retomada uma normalidade do mercado, no qual a competição tende a se acirrar no segundo semestre.

Relatório do Itaú BBA distribuído a clientes citou o benefício do programa de subsídios, mas chamou a atenção para importação de diesel pela Petrobras, o que levanta "incertezas" na medida em que a estatal poderia voltar a ter perdas no segmento, se for levada a continuar com o movimento de compras externas após o fim da subvenção.

"Como o programa de subsídio ao diesel para o consumidor durará apenas até 31 de dezembro de 2018, e se os preços permanecerem abaixo da paridade, a Petrobras poderia importar e vender o diesel com prejuízo --como foi o caso no passado recente", afirmou o Itaú BBA.

Às 11h18, as ações preferenciais da Petrobras subiam 4,56%, a R$ 21,34, enquanto os papéis ordinários tinham elevação de 5,44%, a R$ 23,66. O resultado trimestral veio acima expectativa de analistas e especialistas ouvidos pela Reuters, que apontavam para um lucro de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, ou cerca de R$ 5,6 bilhões, pela taxa de câmbio de R$ 3,73 por dólar. 

Desinvestimentos e dividendos

Segundo a companhia, o aumento de 134,5% das despesas operacionais na comparação anual, para R$ 14,957 bilhões, foi compensado pela melhora do resultado financeiro, reflexo do ganho com a renegociação de dívidas com o Sistema Eletrobras e da redução das despesas com financiamentos. O aumento das despesas, segundo a empresa, refletiu o resultado negativo com o hedge de óleo, os ajustes de preço relacionados ao acordo da alienação do campo de Roncador e a variação cambial sobre o saldo da provisão Class Action nos EUA.

A Petrobras afirmou que a geração operacional e a entrada de caixa de cerca de US$ 5 bilhões com os desinvestimentos, no primeiro semestre, propiciaram amortização e pré-pagamentos de dívidas, resultando em uma queda expressiva de 13% no endividamento líquido na comparação com o final do ano passado, somando US$ 73,7 bilhões ao fim de junho.

Somente no segundo trimestre, a companhia registrou no balanço recebimento de R$ 9,4 bilhões em desinvestimentos.

"A gente espera que essa trajetória consistente permaneça, e a gente tem ganhos importantes com redução muito forte do endividamento, ganho de produtividade, então, sim, a gente espera que a trajetória de recuperação continue", acrescentou o presidente-executivo da empresa, ao comentar os resultados.

Com um dólar firme frente ao real, contudo, a dívida líquida subiu na moeda brasileira, para R$ 284 bilhões, ante R$ 270,7 bilhões ao final do primeiro trimestre e R$ 280,7 bilhões ao fim de 2017.

Com os bons resultados, a Petrobras informou ainda nesta sexta-feira que seu conselho de administração aprovou em reunião na véspera distribuição de remuneração antecipada aos acionistas sob a forma de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), no valor de R$ 652,2 milhões, correspondente a R$ 0,05 por ação, a ser pago em 23 de agosto.

O pagamento será feito com base posição acionária de 13 de agosto. A empresa destacou, ao divulgar os resultados do segundo trimestre, que a remuneração aos acionistas em 2018 já soma R$ 1,3 bilhão, após os resultados da companhia no semestre.

(Reportagem adicional de Paula Laier; texto de Roberto Samora; edição de Raquel Stenzel)

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