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Dólar tem leve queda ante real com correção e exterior, sem tirar eleição do foco

05/09/2018 17h15

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira com leve queda ante o real, com pouco mais de alívio na cena externa favorecendo uma leve correção, mas o cenário eleitoral doméstico ainda continuou gerando cautela nos investidores.

O dólar recuou 0,23 por cento, a 4,1436 reais na venda, depois de oscilar entre a máxima de 4,1871 reais e a mínima de 4,1122 reais. O dólar futuro tinha queda de cerca de 0,05 por cento no final da tarde.

Só em agosto, o dólar havia saltado quase 8,5 por cento frente ao real e, nos dois pregões passados, subiu mais 1,98 por cento, aproximando-se do seu maior patamar histórico de fechamento, a 4,1655 reais batido em 21 de janeiro de 2016.

"O exterior deu uma boa melhorada. Acabamos acompanhando", afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

O dólar caía ante uma cesta de moedas após notícia de que os governos do Reino Unido e da Alemanha teriam abandonado as principais demandas do Brexit, potencialmente facilitando a trilha para o acordo de separação, o que favoreceu o euro e a libra.

Mais cedo, a moeda norte-americana chegou a subir em meio a temores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa intensificar a guerra comercial com a China ao impor tarifas sobre mais importações chinesas.

O dólar também passou a cair frente a moedas de países emergentes, como o peso chileno, mexicano e até mesmo argentino.

A Argentina vem sofrendo fortes turbulências e crise econômica, levando o governo a buscar adiantar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Internamente, o cenário eleitoral manteve a cautela dos investidores, diante da indefinição sobre a chapa petista à Presidência da República. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada do último sábado com base na Lei da Ficha Limpa.

Na decisão, a Justiça deu prazo até o dia 11 de setembro para o PT escolher um substituto para a cabeça de chapa. Fernando Haddad é o plano B do PT e deverá assumir este papel.

Com isso, a divulgação de pesquisas eleitorais previstas para esses dias foram postergadas. O Ibope fez uma consulta ao TSE após realizar uma "adequação" que retirou da pesquisa o cenário com Lula. E o Datafolha, que divulgaria levantamento nos próximos dias, resolveu suspendê-lo e fazer outro para publicar na próxima segunda-feira.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas. Como Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos, os investidores temem que sua exposição maior dê força à transferência de votos a Haddad.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 1,635 bilhão de dólares do total de 9,801 bilhões de dólares que vence em outubro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

(Edição de Patrícia Duarte)

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