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Dólar tem maior queda em três meses e meio e termina a R$3,93, com avanço de Bolsonaro em pesquisa

02/10/2018 17h08

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrou a maior queda percentual diária em três meses e meio e fechou em 3,93 reais nesta terça-feira, depois de ter flertado com os 3,90 reais na mínima, com os investidores animados com o avanço de Jair Bolsonaro (PSL) nas intenções de votos à Presidência da República medidas pelo Ibope e maior vantagem em relação a Fernando Haddad (PT).

O dólar recuou 2,08 por cento, a 3,9349 reais na venda, para o menor nível desde os 3,9147 de 17 de agosto. Foi ainda a maior queda percentual desde a baixa de 2,15 por cento ocorrida no pregão de 15 de junho passado.

Na mínima, a moeda caiu quase 2,8 por cento, para 3,9064 reais. O dólar futuro tinha baixa de 2,10 por cento.

"Aparentemente, a maré de Bolsonaro (PSL) parece ter começado a virar....Nas últimas duas semanas,... muitos começavam a prever que Bolsonaro não iria mais crescer nas pesquisas e que Fernando Haddad poderia empatar...ainda no primeiro turno. Mas os números de ontem mostraram uma invertida", avaliou a corretora Guide em relatório.

Haddad não oscilou no levantamento divulgado na véspera, mantendo os mesmos 21 por cento de antes, enquanto o líder Bolsonaro foi a 31 por cento, ante 27 por cento do levantamento anterior.

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro empataria com Haddad com 42 por cento, ante 42 a 38 por cento para o petista antes. Além disso, a rejeição de Haddad subiu 11 pontos, a 38 por cento, enquanto a de Bolsonaro permaneceu em 44 por cento.

"A pesquisa de ontem mostrou uma ruptura numa tendência e é natural o mercado ajustar os preços", explicou o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, ao lembrar que os levantamentos anteriores mostravam Bolsonaro parando de crescer e Haddad avançando, sobretudo no segundo turno.

Para o mercado, o resultado do Ibope trouxe viés favorável ainda porque o PT sofreu outros reveses. Entre eles, o veto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Folha de S.Paulo e a liberação da delação do ex-ministro petista Antonio Palocci envolvendo, entre outros, o próprio Lula.

O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. Assim, sua opção neste momento está em Bolsonaro principalmente pelas ideias de seu assessor econômico Paulo Guedes.

As atenções agora se voltam para o números do Datafolha que saem nesta terça-feira e incluem entrevistas realizadas no mesmo dia.

"Hoje sai o Datafolha...que deve trazer algum impacto já em relação à delação de Palocci", destacou em relatório o sócio da Criteria Investimentos Vitor Miziara.

Para Ferman, da Elite Corretora, se o Datafolha não corroborar o Ibope da véspera, "o mercado pode devolver (a euforia) amanhã".

No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas com a Itália puxando a aversão ao risco. O euro foi à mínima de seis semanas mais cedo após uma autoridade do partido governista Liga da Itália dizer que a maioria dos problemas do país seria resolvida se trocasse o euro por uma moeda nacional, provocando vendas generalizadas no mercado.

O dólar também avançava ante as divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 770 milhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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