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Engie retomará processo para vender termelétrica Pampa Sul em 2019, diz CEO

01/11/2018 12h13

SÃO PAULO (Reuters) - A Engie Brasil Energia suspendeu a busca por compradores para sua termelétrica a carvão Pampa Sul e deve retomar o processo de venda após a entrada em operação do empreendimento, prevista para o segundo trimestre de 2019, disse nesta quinta-feira o presidente da companhia, Eduardo Sattamini.

Em teleconferência com investidores, ele afirmou ainda que também devem ficar para 2019 a conclusão de negociações com a Petrobras para a possível aquisição da rede de gasodutos TAG e conversas com sua controladora, a francesa Engie, para a compra da fatia da empresa na hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

A Engie, que tem aumentado os investimentos em ativos de energia limpa, como parques eólicos, e em gás natural, em meio a uma estratégia de "descarbonização", colocou Pampa Sul à venda ainda no início de 2017.

A empresa chegou a receber uma oferta da CountorGlobal pela usina de 340 megawatts, ainda em construção, e pelo complexo térmico a carvão Jorge Lacerda, de 857 megawatts, mas as tratativas de venda não avançaram e as conversas foram encerradas em abril deste ano.

Mais recentemente, a chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) também apresentou interesse nas térmicas, conforme publicado pela Reuters em meados de outubro com informação de uma fonte.

"O processo de venda do ativo a gente optou por retomá-lo num momento em que a usina estiver operacional. Não faz sentido a gente ainda carregar algumas incertezas (que pesam sobre a precificação do empreendimento)", afirmou Sattamini.

A decisão da Engie vem em meio a um atraso no cronograma da usina, que inicialmente precisaria entrar em operação em janeiro.

A companhia, no entanto, realizou negociações para descontratar parte da energia da usina já vendida para 2019, de forma a acomodar a nova data prevista para a operação, segundo Sattamini.

O executivo disse ainda que a previsão de que as conversas com a Petrobras sobre a TAG sejam concluídas somente em 2019 deve-se à paralisação da transação após uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) contra privatizações.

"Não temos certeza de quando esse processo será retomado... mas, sendo retomado... deve levar a uma transação não antes de fevereiro, março do ano que vem, de qualquer maneira, mesmo que a gente tivesse retomado essa discussão agora em novembro", explicou.

Já a esperada oferta da Engie Brasil Energia pela fatia em Jirau está "em situação de espera", disse Sattamini, que citou questões ainda a serem resolvidas, como incertezas em torno de custos com o risco hidrológico, um assunto em discussão entre empresas do setor e o governo.

TRANSMISSÃO E EÓLICAS

A Engie Brasil Energia pretende seguir investindo em novos projetos de transmissão e deverá participar do próximo leilão do governo para a concessão de licenças no setor, previsto para dezembro, disse Sattamini.

"Vamos estar lá, com (ofertas por) alguns lotes específicos (de projetos). Estamos trabalhando para isso", afirmou.

A Engie também pretende viabilizar novos projetos eólicos com a venda da energia em operações no mercado livre de eletricidade, um negócio que o executivo disse parecer mais atrativo que a inscrição dos empreendimentos em futuros leilões do governo para novas usinas.

Segundo ele, contratos de venda de energia no mercado livre poderão em breve viabilizar a construção de uma segunda fase do projeto eólico Campo Largo, na Bahia, com 330 megawatts --a companhia deve concluir ainda neste ano a primeira fase do complexo, com a mesma capacidade.

"Já estamos em negociações de venda no mercado... A gente tem uma capacidade de comercialização (no mercado livre) que é o diferencial para nós", afirmou.

A primeira fase do projeto Campo Largo, também com quase 330 megawatts, já está com 55 por cento da capacidade em operação. O investimento no empreendimento é de 1,7 bilhão de reais (base 2014).

(Por Luciano Costa)

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