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Brasil tem superávit comercial de US$ 4,062 bi em novembro

Getty Images
Imagem: Getty Images

De Brasília

03/12/2018 15h03

O Brasil teve superávit comercial de US$ 4,062 bilhões em novembro, resultado abaixo do esperado pelo mercado, mas com o acumulado no ano já batendo a projeção do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) para o desempenho fechado de 2018.

Em pesquisa da agência de notícias Reuters, a expectativa era de um saldo positivo em US$ 4,3 bilhões em novembro.

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No acumulado dos 11 meses deste ano, o superávit das trocas comerciais chegou a US$ 51,698 bilhões, queda de 16,6% sobre igual período de 2017, mas já acima da marca de US$ 50 bilhões anteriormente projetada pelo MDIC para todo ano de 2018, informou a pasta nesta segunda-feira (3).

Em 2017, a balança teve um saldo positivo recorde de US$ 67 bilhões. A desaceleração neste ano veio na esteira de maior fôlego das importações, que têm ganhado tração diante de maior ímpeto da atividade econômica.

De janeiro a novembro, as importações tiveram um crescimento de 21,3%, pela média diária, a US$ 168,304 bilhões. Já as exportações avançaram 9,4%, a US$ 220,002 bilhões.

"Importante destacar que os resultados até novembro de 2018 mostram de maneira inequívoca que, apesar de um superávit expressivo, mas menor que o de 2017, o desempenho do comércio exterior brasileiro em 2018 supera em qualidade e em dimensão os resultados do ano passado", afirmou o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto.

"Exemplo disso é que os valores das exportações e importações, até novembro, já ultrapassaram o valor total das importações e exportações do ano de 2017", acrescentou.

Efeitos da guerra comercial EUA-China

Questionado se a guerra comercial tem ajudado o Brasil, Abrão ponderou que, no longo prazo, as tensões sempre serão prejudiciais para o comércio global e, por conseguinte, para o país.

No curto prazo, porém, reconheceu que o país tem registrado ganhos.

"É claro que em alguns setores específicos, e a soja é o exemplo mais claro disso, houve alguns transbordamentos para o comércio exterior brasileiro", disse.

Após os presidentes dos Estados Unidos e da China terem concordado no final de semana em suspender novas tarifas comerciais por 90 dias, Abrão avaliou que esse congelamento é um sinal positivo.

"Obviamente há muitos capítulos dessas conversas bilaterais entre Brasil e China e esperamos que conduzam a um cenário mais previsível no comércio internacional geral", disse.

Nos 11 meses de 2018, houve elevação de 32% das exportações de soja à China, a US$ 25,8 bilhões. O embarque tem sido favorecido pela guerra comercial já que, em uma das várias retaliações que adotou, Pequim impôs em julho tarifa de 25% sobre a soja dos EUA, respondendo a medidas do governo de Donald Trump de taxar importados chineses para forçar a revisão da pauta comercial e diminuir o déficit com o gigante asiático.

Novembro

Em novembro, as importações avançaram 28,3% sobre igual mês do ano passado, pela média diária, a US$ 16,860 bilhões. As exportações, por sua vez, tiveram alta de 25,4% na mesma base, a US$ 20,922 bilhões.

As importações tiveram como destaque a expansão de 170,2% em bens de capital. Enquanto isso, as compras de bens intermediários subiram 15,7% e as de combustíveis e lubrificantes, 12,6%. Em contrapartida, as importações de bens de consumo caíram 7,1%.

Já as exportações em novembro foram puxadas principalmente pela venda de básicos (+40,1%), com manufaturados (+25%) e semimanufaturados (4,5%) aparecendo em seguida.

No grupo dos básicos, as vendas de soja subiram 145,8% sobre o mesmo mês do ano passado, para US$ 2 bilhões, com as vendas de petróleo em bruto subindo 103,6%, a US$ 1,8 bilhão.

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