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Ibovespa fecha em queda de 0,2% antes de dados de emprego dos EUA

06/12/2018 18h08

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, mas longe das mínimas da sessão, acompanhando a melhora de ativos de mercados emergentes e antes da divulgação de dados de emprego nos EUA, que podem determinar próximos movimentos de política monetária.

O principal índice do mercado acionário brasileiro caiu 0,22 por cento, a 88.846,48 pontos, após recuar 2,26 por cento no pior momento, afetado pelo cenário externo com notícias desfavoráveis para a relação sino-americana e queda do petróleo.

O volume financeiro no pregão somou 13,9 bilhões de reais.

A criação de vagas nos EUA em novembro, da ADP, veio menor do que o esperado. Além disso, declarações do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, de que os EUA estão a pequena distância do juro neutro corroboraram ajustes antes do relatório de emprego do governo.

Pesquisa Reuters com economistas mostra expectativa de que a folha de pagamentos não agrícola dos EUA registre a criação de 200 mil postos de trabalho em novembro, contra 250 mil em outubro. A taxa de desemprego deve ficar em 3,7 por cento.

"Os dados podem referendar o tom mais 'dovish' adotado recentemente por membros do Fed, entre eles o chairman Jerome Powell, e corroborar um rearranjo de apostas para a normalização da taxa de juros nos EUA antes da última reunião do Fed este ano", avalia o operador Alexandre Soares, da BGC Liquidez.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed reúne-se em 17 e 18 de dezembro, quando se espera uma nova alta da taxa de juro norte-americana, para o intervalo de 2,25 a 2,50 por cento.

Nos EUA, o ETF iShares MSCI de mercados emergentes caía 1,5 por cento no final da tarde, após ter recuado mais de 3 por cento no pior momento.

A melhora também teve como pano de fundo desdobramentos imediatos menos graves da prisão da filha do fundador da gigante chinesa de tecnologia Huawei, no Canadá, a pedido dos EUA, que minou os mercados globais mais cedo, e que contaminou a Bovespa.

O episódio, na visão da equipe de análise e estratégia da XP Investimentos, "ressalta quão frágil está a relação dos EUA e da China". No último sábado, EUA e China concordaram em uma trégua de 90 dias na disputa tarifária que vem preocupando agentes de mercado pelo efeito potencialmente negativo na economia global.

A queda de mais de 2 por cento nos preços do petróleo endossou o viés negativo no pregão brasileiro, com as cotações da commodity pressionadas também pela sinalização da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que pode concordar com um corte de produção menor do que o esperado.

Dados da B3 mostraram entrada líquida de estrangeiros no segmento Bovespa nos dois primeiros pregões de dezembro, somando 1,9 bilhão de reais. O saldo no ano está negativo em 7,6 bilhões de reais.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN caiu 3,79 por cento, afetada pelo declínio do petróleo, além de novas sinalizações de Brasília de que um desfecho sobre a questão da cessão onerosa deve ficar para 2019. O Morgan Stanley também cortou o preço-alvo dos ADRs da companhia. PETROBRAS ON recuou 4,16 por cento.

- EMBRAER cedeu 2,33 por cento, após a Justiça Federal de São Paulo conceder liminar impedindo o conselho de administração da fabricante de aviões de tomar qualquer decisão que permita a separação da área comercial da empresa para formar uma joint venture com a Boeing.

- ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 0,9 por cento, com o setor de bancos como todo melhorando e ajudando na redução de perdas do Ibovespa. BRADESCO PN subiu 1,09 por cento.

- VALE caiu 0,95 por cento, pressionada pelas preocupações com os rumos da disputa comercial entre Washington e Pequim, que derrubou ações de mineradoras na Europa. A Vale também comprou 77 por cento na empresa de mineração Ferrous Resources, por cerca de 550 milhões de dólares.

- GOL PN recuou 2,11 por cento, com a alta do dólar frente ao real - que chegou a quase 2 por cento no pior momento - levando a realização de lucros no papel, que ainda acumula alta de cerca de 40 por cento em 2018. A companhia aérea também divulgou na véspera que a demanda total cresceu acima da oferta em novembro.

- CIELO subiu 3,88 por cento, após recuar quase 30 por cento em novembro, afetada por preocupações com o aumento da competição no setor de meios de pagamentos. No ano, as ações perdem cerca de 55 por cento.

- BB SEGURIDADE fechou em alta de 2,52 por cento, tendo no radar anúncio de distribuição de 2,7 bilhões de reais em dividendos extraordinários, a serem pagos em 2 de janeiro, valor superior aos 2,1 bilhões de reais sinalizados pela companhia antes.

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