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Eztec vê oportunidade para compra de ativos após crise

07/12/2018 11h20

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - A construtora e incorporadora Eztec vê cenário positivo no próximo ano e está atenta às oportunidades de compra que surgirem após uma das mais severas crises já enfrentadas pelo setor imobiliário brasileiro, disse nesta sexta-feira o diretor presidente da companhia, Silvio Ernesto Zarzur.

“Encaramos esse momento como de ouro porque o cenário é positivo… Passamos por crise grande, tem muitos ativos para (avaliarmos a) compra e estamos preparados para isso”, afirmou o executivo durante encontro com analistas e investidores na capital paulista.

Os comentários foram feitos um dia após a Eztec anunciar planos de elevar os lançamentos de 1 bilhão a 1,5 bilhão de reais em 2019. De acordo com Zarzur, a companhia deve lançar todos os projetos planejados para o próximo ano até outubro ou novembro.

Em 2018, lembrou o executivo, a empresa aguardou o resultado das eleições presidenciais e lançou a maior parte dos empreendimentos após a definição do futuro governo. Até o fim de setembro, os lançamentos somavam apenas 235 milhões de reais, de acordo com balanço do terceiro trimestre.

Segundo Zarzur, o planejamento da companhia prevê até 20 por cento dos lançamentos enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas pode rever esse percentual depois que o projeto de lei que regulamenta os direitos e deveres de compradores e incorporadoras em casos de cancelamento do contrato for sancionado pelo presidente Michel Temer.

A matéria, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, estabelece multa de 50 por cento sobre o valor pago pelo comprador se o empreendimento estiver dentro do regime de patrimônio de afetação, em que cria-se empresa com patrimônio separado da construtora. Em outros casos, a penalidade será de 25 por cento.

"Podemos diminuir MCMV e voltar o canhão para a média renda… Vamos olhar com cuidado e tomar essa decisão com calma”, afirmou o diretor presidente.

A Eztec comunicou ao mercado sua intenção de entrar no segmento de baixa renda ainda no ano passado e lançou em outubro deste ano a marca FIT Casa, por meio da qual vai operar no Minha Casa Minha Vida (MCMV).

O movimento é similar ao de outras companhias com atuação no médio e alto padrão, incluindo a Cyrela, mas vem na contramão da gigante voltada para imóveis econômicos, a MRV, que retomou projetos financiados com recursos da caderneta de poupança.

O diretor financeiro e de relações com investidores da Eztec, Emílio Fugazza, destacou que 1 bilhão de reais do estoque de terrenos (landbank) da incorporadora se enquadra no MCMV e mais 1 bilhão de reais em áreas podem ser convertidas para o segmento. “Então temos um terço do landbank total aderente ao MCMV”, contou Fugazza.

Zarzur revelou ainda que a Eztec tem ambição de iniciar atividades de locação e está estudando um modelo de negócios para seis projetos mistos que reúnem cerca de 500 mil unidades. “Estamos buscando forma de rentabilizar esses ativos, talvez até em estratégia de fundos (de investimento imobiliário)”, contou o diretor presidente.

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