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FCStone vê produção de açúcar do centro-sul Brasil em 2019/20 em 27,8 mi t

14/05/2019 11h18

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - O centro-sul do Brasil vai produzir menos açúcar do que o esperado inicialmente na nova temporada iniciada em abril, à medida que preços maiores da gasolina elevam a demanda por etanol, levando as usinas a alocaram menos cana para a produção do adoçante, disse a consultoria INTL FCStone nesta terça-feira.

A FCStone cortou sua projeção para a produção de açúcar no centro-sul do Brasil para 27,8 milhões de toneladas, de 29,5 milhões estimadas em março. A consultoria disse que as usinas devem utilizar apenas 37,1% da cana para produção de açúcar, ante quase 40% previstos antes.

"Olhando os preços para o petróleo e açúcar desde o início do ano, nós vemos que o petróleo subiu 35%, enquanto o açúcar caiu 5%", disse a FCStone, acrescentando que preços mais altos no petróleo aumentam o custo da gasolina no Brasil.

"Esse fato elevou a demanda e os preços do etanol", disse a consultoria, apontando que as usinas devem com isso favorecer o combustível, que está mais lucrativo, ao invés do açúcar.

A FCStone elevou sua projeção para a produção de etanol para 29,1 bilhões de litros em 2019/20, de 27,6 bilhões de litros na previsão de março.

Ela ainda elevou a estimativa para a safra de cana para 574,2 milhões de toneladas, contra 568,6 milhões de toneladas em março, conforme amplas chuvas aumentaram as produtividades no centro-sul.

A região recebeu 324 milímetros de chuva entre o início de março e meados de maio, 67% mais que no mesmo período do ano passado e 12% acima dos níveis históricos, segundo relatório da consultoria.

As chuvas inclusive são um dos fatores por trás do atraso na atividade de moagem no Brasil, uma vez que as usinas não conseguem colher a cana em alguns dias chuvosos.

VISÃO GLOBAL

A FCSTone também apresentou nesta terça-feira sua primeira projeção para o balanço global de oferta de açúcar em 2019/20, projetando um déficit de 5,7 milhões de toneladas, ante um pequeno déficit de 0,3 milhões de toneladas na temporada anterior.

Além de prever que a produção de açúcar do Brasil seguirá em níveis baixos, a consultoria espera que a produção na Índia, Tailândia e China caiam, levando a um déficit de oferta global.

Mas os estoques são considerados ainda elevados o suficiente, com quase 74 milhões de toneladas previstos para o final da nova safra global, o que pode limitar qualquer tendência altista nos preços do açúcar.

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