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Light focará em "áreas possíveis" do Rio para reduzir perdas com furtos de energia

16/05/2019 16h30

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Light, responsável pelo fornecimento da energia na região metropolitana do Rio de Janeiro, viu um aumento das perdas de energia em sua área de atuação no primeiro trimestre, com um crescimento significativo dos chamados "gatos" na rede.

Em teleconferência com investidores nesta quinta-feira, a nova presidente da companhia, Ana Marta Veloso, disse que buscará reduzir os furtos de energia com ações mais incisivas no que a empresa define como "áreas possíveis" --aquelas em que seus técnicos podem entrar para realizar medições e cobranças.

Grande parte das ligações ilegais de eletricidade no Rio de Janeiro está em regiões dominadas por traficantes de drogas ou milícias, o que em geral impede a entrada ou mesmo coloca em risco a vida de profissionais da empresa.

"Vamos com tudo para trabalhar no combate ao furto de energia e na mudança cultural que precisa ser feita na área de concessão da Light. É inadmissível clientes que têm condição de pagar energia não pagarem por questões culturais, ou acharem que têm o direito de furtar energia", afirmou a executiva, sem detalhar as ações.

"A situação no Rio vem se deteriorando, o que implica num desafio ainda maior para nós em perdas e arrecadação... mas ainda há muito trabalho a ser feito naquilo que chamamos de áreas possíveis, onde o nível de perdas é de 16% da carga-fio, ainda alto comparado a outras concessões", acrescentou ela.

As perdas não-técnicas de energia no mercado de baixa tensão da Light, principalmente de clientes residenciais, somaram 47,2% da carga no trimestre encerrado em março, maior nível desde ao menos o final de 2015, segundo dados da empresa. No final de 2018, as perdas somavam 45,18% e em março do ano passado eram de 41,47%.

A Light apontou que 55% das perdas foram em áreas de risco, que representam cerca de 13% do volume de energia distribuído pela companhia.

"As perdas nas áreas possíveis ainda são muito altas quando você compara com outras concessões (de distribuição de energia), de outros grupos, que estão na região Sudeste e podem ser comparadas com as 'áreas boas' da Light... elas que vamos endereçar daqui para a frente", disse Ana Marta.

A executiva afirmou ainda que a Light mudará sua estratégia de "recuperação de energia", em ações que buscarão recuperar valores não pagos por clientes com uma retroatividade de até 36 meses.

"Você não pode fazer isso como a Light fez em 2018, focando em clientes nas 'áreas de risco', porque eles não têm capacidade de pagamento. Agora, você pode fazer isso com um cliente da Zona Sul, oferecendo um parcelamento", exemplificou.

A executiva foi eleita para comandar a Light no final de abril. Até então, ela ocupava uma cadeira no conselho de administração da Eletropaulo, como membro independente. Antes, ela já havia presidido a Light entre o final de 2015 e meados de 2017.

A Light reportou na véspera um lucro líquido de 164 milhões de reais no primeiro trimestre, avanço de 77% na comparação anual, em resultado impulsionado principalmente pelos negócios de geração da companhia.

DESALAVANCAGEM

Durante a teleconferência, a presidente da Light disse que sua primeira prioridade será reduzir a alavancagem da companhia.

A elétrica fechou o trimestre com relação entre dívida líquida e geração de caixa (Ebitda) de 3,7 vezes, ante 3,6 vezes no final de 2018.

Em abril, executivos da estatal mineira Cemig, controladora da Light, afirmaram que estava em avaliação uma possível oferta de ações da Light, em uma operação na qual a Cemig inclusive poderia aproveitar para vender suas ações na empresa.

A Light faz parte de um grupo de ativos listados em um plano de desinvestimentos da Cemig que visa reduzir dívidas.

Ao ser questionada sobre a possibilidade da oferta de ações, no entanto, Ana Marta disse que a companhia está avaliando "várias alternativas" para reduzir a alavancagem, sem detalhar.

Ela acrescentou ainda que já não está mais em vigor um memorando de entendimento que a companhia chegou a firmar em 2018, para uma oferta de ações que seria ancorada por fundos da GP Investments.

(Por Luciano Costa)

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