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Dólar tem maior alta em 1 mês com ajuste local; volatilidade dispara

14/06/2019 17h16

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrou nesta sexta-feira a maior alta ante o real em quase um mês e acumulou valorização na semana, a primeira depois de três quedas seguidas, com investidores evitando exposição antes do fim de semana e repercutindo o exterior cauteloso, ruídos locais e chances de nova queda de juros no Brasil.

Uma medida de incerteza para a taxa de câmbio disparou. A volatilidade implícita das opções de dólar/real com vencimento em três meses subia para 13,5% ao ano, maior patamar desde 22 de maio.

O dólar à vista saltou 1,16%, a 3,8992 reais na venda. É o maior ganho diário desde 17 de maio (1,62%). O patamar de fechamento é o mais elevado desde 31 de maio (3,9244 reais). Na máxima, a cotação bateu 3,9144 reais, valorização de 1,55%. Na semana, o dólar à vista subiu 0,56%.

Na B3, o dólar futuro de maior liquidez subia 1,38%, a 3,9065 reais.

O dólar já vinha em alta desde cedo, alavancado pela força da moeda norte-americana no exterior, após dados firmes nos Estados Unidos levantarem dúvidas sobre o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos).

Mas as compras se aceleraram na esteira de críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, a deputados.

Irritado com o parecer apresentado na véspera pelo relator da reforma da Previdência em comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), Guedes fez críticas a alguns servidores do Legislativo. Em resposta a Guedes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que na democracia vale a vontade do coletivo.

O receio é que volte o clima de animosidade entre Congresso e Executivo, que em meses passados fez os mercados se deteriorarem à medida que colocou em dúvida a aprovação de uma reforma da Previdência com potência fiscal suficiente para reequilibrar as contas públicas.

"Guedes falou o que todo mundo acha, mas não podia ter falado", resumiu um gestor em São Paulo.

Além do exterior e do noticiário político, fatores técnicos pressionaram o dólar. Operadores chamaram atenção para a crescente aposta em queda da Selic, o que reduziria ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e EUA. O efeito desse raciocínio ficou ainda mais claro num dia em que o mercado diminuiu posições em prol de redução de juros nos EUA.

Esse diferencial de taxas está atualmente em mínimas históricas, o que desestimula a vinda de "caçadores de retornos" ao Brasil --portanto, enfraquecendo a perspectiva de fluxo cambial.

A Selic está atualmente em 6,50% ao ano, enquanto o juro básico nos Estados Unidos se encontra no intervalo entre 2,25% e 2,50%.

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