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Bolsonaro diz que notícias inverídicas sobre meio ambiente prejudicam país no exterior

01/08/2019 15h07

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que notícias sobre o meio ambiente que, segundo ele, "não condizem com a verdade", prejudicam o trabalho do governo no exterior, especialmente ao fechar acordos internacionais.

Em entrevista coletiva para tratar dos dados sobre desmatamento da Amazônia divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao lado dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, o presidente disse que os números sobre perda florestal foram "espancados" com o objetivo de atingi-lo e a seu governo.

"Uma notícia como essa que não condiz com a verdade causa um estrago muito grande na imagem do Brasil. Tem gente interessada e que não é imprensa. O dado saiu lá de dentro, de órgãos nossos. Essa é a preocupação grande que nós temos", disse Bolsonaro.

"Os números, no meu entender, foram espancados com o objetivo, me parece, de atingir o nome do Brasil e do governo", acrescentou o presidente, ao referir-se à divulgação de um aumento de 88% no desmatamento na Amazônia em junho na comparação anual, de acordo com dados do Inpe.

Indagado se o presidente do Inpe, Ricardo Galvão, será demitido por conta do episódio, Bolsonaro não respondeu diretamente, mas disse que não admitirá "quebra de confiança".

"Se quebrar a confiança, vai ser demitido sumariamente. Se for possível, se não tiver mandato", disse o presidente.

"Se perder a confiança, é isso aí. No meu entender, é pena capital. A gente não convive nem na vida particular com uma pessoa quando perdemos a confiança. Agora, teremos muita responsabilidade para identificar se houve ou não má-fé por parte das pessoas", afirmou.

Ele acrescentou que não pretende fazer "mau juízo" do presidente do Inpe, mas resssaltou que os dados eram estranhos. Bolsonaro afirmou que só fará acusações quando tiver certeza, mas insistiu ser estranho a divulgação desses dados no momento em que o Brasil começa a apresentar sinais de recuperação.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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