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Dólar supera R$3,99 com aversão ao risco no exterior por disputa EUA-China

07/08/2019 13h10

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia com força ante o real nesta quarta-feira, tendo superado o nível de 3,99 reais, com renovado sentimento de aversão ao risco no exterior por temores ligados à disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Às 13:08, o dólar avançava 0,82%, a 3,9886 reais na venda. Na máxima do pregão, a cotação foi a 3,9935 reais na venda e, na mínima, tocou 3,9460 reais na venda.

Na véspera, o dólar encerrou praticamente estável, com variação negativa de 0,03%, a 3,956 reais na venda.

O dólar futuro de maior liquidez ganhava cerca de 0,7% neste pregão, a 3,995 reais na venda.

A cautela voltava a imperar nos mercados globais nesta quarta-feira em face da perspectiva de uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e China.

"Continuamos totalmente reféns do movimento de fora... O mundo está bastante instável, há bastante aversão ao risco, preocupações com a questão cambial", disse o economista da consultoria Tendências, Silvio Campos Neto.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou temores de uma guerra comercial prolongada, apesar de um alerta do governo chinês de que classificar o país como manipulador cambial terá consequências severas para a ordem financeira global.

O porta-voz da Administração Estatal de Câmbio chinesa disse nesta quarta-feira que a ação dos EUA via piorar seriamente o ambiente econômico e prejudicar o crescimento global.

Em meio aos persistentes temores sobre a disputa EUA-China, investidores denotam maior importância para eventuais declarações de autoridades do Federal Reserve, que vinham citando a guerra comercial como fator de risco à saúde da economia norte-americana.

Na véspera, o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, disse que o banco central dos EUA pode ficar preso a um ambiente comercial volátil por anos, mas não pode responder "ao vaivém diário" das disputas entre países sobre as regras do jogo.

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira o texto-base da reforma da Previdência em segundo turno e votará, a partir das 11h, destaques que podem suprimir pontos do texto, visando encerrar a tramitação da matéria na Casa e enviá-la ao Senado.

O placar foi de 370 votos a favor e 124 votos contrários. No primeiro turno, o governo obteve 379 votos a favor de seu texto e 131 votos contrários.

No entanto, as expectativas positivas com relação à tramitação da Previdência, inclusive no Senado, já estão consolidadas entre participantes do mercado e, portanto, noticiário sobre a reforma não deve beneficiar o câmbio, com atenções todas voltadas para o exterior.

"Por enquanto, com o exterior dessa forma, é difícil (que Previdência dê alívio nos preços), e já era algo esperado. Se o governo conseguir que algum destaque prospere, pode trazer algum impacto, mas muito pontual", acrescentou Silvio.

O Banco Central vendeu nesta quarta-feira todos os 11 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão para rolagem do vencimento outubro. Em cinco operações até agora neste mês, o BC promoveu a rolagem de 2,750 bilhões de dólares, de um total de 11,5 bilhões de dólares.

(Por Laís Martins)

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