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Guerra comercial entre EUA e China e câmbio impulsionam preços da soja no Brasil

07/08/2019 15h52

Por Roberto Samora e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - O preço da soja brasileira em real atingiu seu maior nível em quase dois meses, impulsionado por um avanço nos prêmios para o embarque da oleaginosa e pela desvalorização da moeda, ambos causados pela disputa comercial entre China e Estados Unidos.

Os valores em Sorriso (MT), no coração da sojicultura brasileira, fecharam a terça-feira a 62,31 reais por saca, 0,81% acima do dia anterior e no maior nível desde 18 de junho, de acordo com pesquisa de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Os prêmios para embarque em Paranaguá (PR), por sua vez, avançaram para 1,35 dólar sobre os contratos futuros do produto em Chicago na terça-feira, depois de os EUA alimentarem novamente a disputa com a China, maior importadora mundial de soja, que respondeu com anúncio de interrupção de todas as aquisições de produtos agrícolas norte-americanos.

Segundo os dados, os prêmios em portos do Brasil saltaram 70% desde 16 de junho, atingindo o maior nível desde novembro de 2018.

Camilo Motter, corretor de grãos no Paraná, afirmou que a combinação do real enfraquecido com os altos prêmios nos portos está impulsionando os valores da soja no mercado doméstico.

A moeda brasileira recuou quase 5% em relação ao dólar neste mês, para quase 4 por dólar nesta quarta-feira.

Lucílio Alves, pesquisador do Cepea/Esalq, disse que é provável que a demanda chinesa esteja em crescimento.

"Tem perspectiva de demanda ainda mais firme, o que a China compraria dos EUA, ou até mesmo o que comprou, pode ser cancelado", comentou ele.

Os agricultores brasileiros estão aproveitando a oportunidade para vender o restante da safra antiga e também fechar alguns acordos para a nova temporada, que começará a ser plantada no mês que vem, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).

"Esse momento, é a oportunidade que o produtor tem que aproveitar... O produtor busca essa saída, tanto para a soja física (safra velha) que ainda tem, que é pouca... mas vendas futuras sim, a expectativa é que avance", afirmou ele.

Ele comentou que o produtor também está aproveitando para travar compras de insumos para a nova temporada.

"Então o produtor neste momento está aproveitando para avançar e tentar negociar um pouco mais para ser mais competitivo."

O Brasil deve plantar 2,3% mais soja na nova temporada, em um total de 36,7 milhões de hectares, segundo uma pesquisa da Reuters.

Antônio Galvan, presidente da Aprosoja Mato Grosso, notou mais interesse de compradores.

"Com dólar alto, ontem e hoje teve uma ou outra empresa ligando aí atrás de fazer negócio. Mas o mercado de vendas futuras segue bastante acanhado", disse.

Ele disse que não tem mais soja da safra velha para comercializar.

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