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Chinesa CGNEI, Golar, Statkraft e EDF avançam no Brasil após leilão de energia

Linha de transmissão responsável por levar eletricidade até a casa das pessoas - Getty Images/iStockphoto
Linha de transmissão responsável por levar eletricidade até a casa das pessoas Imagem: Getty Images/iStockphoto

21/10/2019 12h03

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas como a chinesa CGNEI, a norueguesa Statkraft, a francesa EDF e a Golar Power, associação entre a norueguesa Golar LNG e um fundo, avançaram em sua estratégia no Brasil ao conquistar na sexta-feira contratos para venda de energia no leilão A-6, promovido pelo governo para atender à demanda futura de distribuidoras de eletricidade locais.

Além dessas, destacaram-se na licitação outros grupos, como a Rio Energy, do fundo norte-americano Denham Capital, a paranaense Copel, a Eneva e as desenvolvedoras de projetos Casa dos Ventos e SER, segundo comunicados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), das empresas e análise da consultoria ePowerBay.

O leilão na sexta-feira fechou a compra de energia junto a empreendimentos que somarão capacidade total de 2,9 gigawatts e deverão demandar investimentos de cerca de 11 bilhões de reais. Pelos contratos fechados na licitação, de 20 a 30 anos de duração, as usinas precisarão iniciar operação a partir de 2025.

A Golar Power foi a principal vencedora em termos de volume, ao viabilizar a usina Novo Tempo Barcarena, no Pará, com 604,5 megawatts em capacidade. O projeto, em sociedade com a Evolution Power Plants (EPP), utilizará gás natural e deverá demandar 1,5 bilhão de reais, segundo a CCEE.

Já a norueguesa Statkraft disse que vendeu no certame a produção futura de 375,6 megawatts das usinas eólicas Ventos de Santa Eugênia e Serra da Mangabeira, na Bahia. Os projetos deverão demandar aportes de cerca de 1,5 bilhão de reais, de acordo com a consultoria ePowerBay.

Também destacou-se com volume significativo na licitação a Atlantic, empresa de energia renovável recentemente adquirida pelo grupo chinês CGNEI. A Atlantic, já sob controle da CGNEI, fechou contratos para parques eólicos na Bahia e no Piauí com 218,5 megawatts.

Isso permitirá à companhia desenvolver 248 megawatts em projetos, escreveu em seu perfil no Linkedin o chefe de Operações da Atlantic, Gabriel Luaces.

A francesa EDF, que vinha se destacando em leilões no Brasil, também sagrou-se entre as vencedoras, com projeto para parque eólico de 42 megawatts na Bahia orçado em 168 milhões de reais, segundo o levantamento da ePowerBay.

Entre as estrangeiras, destacou-se também a francesa Voltalia, que vendeu a produção futura de uma pequena hidrelétrica em Minas Gerais com 16 megawatts, que deverá exigir 151 milhões de reais, e de parques eólicos com 80 megawatts, orçados em 123 milhões de reais.

A ePowerBay ainda apontou que a Rio Energy, do fundo Denham Capital, viabilizou um parque eólico de 27,5 megawatts na Bahia, estimado em 96 milhões de reais.

Empresas locais

Entre as elétricas brasileiras, um dos destaques foi a estatal paranaense Copel, que viabilizou o parque eólico Jandaíra, no Rio Grande do Norte, com 90 megawatts em capacidade.

A Copel disse em comunicado que o investimento estimado é de 400 milhões de reais e que a energia vendida no leilão representa 30% da garantia física do parque, "sendo que o restante da energia deverá ser comercializada através de contratos no ambiente livre".

A Eneva venceu o certame com o projeto termelétrico Parnaíba VI, uma expansão da usina Nova Venécia 2 em 92,3 megawatts por meio de fechamento de ciclo da unidade. O investimento estimado é de 470 milhões de reais, disse a empresa em comunicado.

A desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos conquistou contratos para empreendimento no Rio Grande do Norte, o projeto Santa Léia, com 67,2 megawatts em capacidade. O investimento estimado é de 269 milhões de reais.

Já a SER comercializou a produção de 300 megawatts do projeto solar Graviola, no Piauí, orçado em 1,16 bilhão de reais, segundo a ePowerBay.

Analistas do BTG Pactual destacaram o desempenho de Eneva e Copel. Em relatório no domingo, apontaram que o resultado pode resultar na criação de valor entre 0,4 real e 0,9 real por ação para a Eneva e de 0,1 real por ação para a Copel.

Solar Competitiva

O leilão de energia brasileiro também teve como destaque o desempenho dos projetos de energia solar, que tiveram os menores preços médios da licitação, abaixo das usinas eólicas, segundo análise do centro de estudos Acende Brasil.

A energia dos empreendimentos solares foi comercializada por 84,39 reais por megawatt-hora, em média, contra 98,89 reais por MWh das eólicas, apontou o instituto em relatório.

Com isso, as solares registram o segundo certame consecutivo como fonte mais barata entre as negociadas, repetindo desempenho visto no leilão A-4, em junho.

Os preços no leilão A-6 da sexta-feira, no entanto, não chegaram bater recorde visto no certame A-4, quando as solares comercializaram energia a até 64,99 reais por MWh, um recorde negativo, enquanto as eólicas negociaram a até 79,92 reais por MWh, também perto de mínimas da fonte.

(Por Luciano Costa)

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