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Brasil vê agência nuclear como trampolim para adesão à OCDE

11/11/2019 18h34

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil está considerando ingressar na Agência de Energia Nuclear (NEA, na sigla em inglês), órgão especializado da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que poderia servir como um trampolim para a adesão no clube das nações ricas, segundo o chefe da NEA.

O diretor-geral da NEA, William Magwood, disse que a associação à agência, que agrupa 33 países com 85% da capacidade de energia nuclear do mundo, é direta e baseada no interesse mútuo em compartilhar tecnologia nuclear de ponta.

"A associação pode acontecer muito rapidamente e isso significa que é um trampolim muito prático para a adesão à OCDE", afirmou Magwood em entrevista na sexta-feira.

Ele disse que a Coreia do Sul usou esse caminho na década de 1970 e, mais recentemente, a Argentina ingressou na agência em 2017, com a intenção de ajudar sua candidatura pendente à OCDE.

"Eles certamente estão falando sobre isso, é algo que o governo brasileiro está analisando", declarou Magwood no final de uma visita ao Brasil durante a qual ele esteve na usina Angra 3, ainda inacabada.

O Brasil esperava se unir à OCDE rapidamente com o apoio que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu ao presidente Jair Bolsonaro em março. Em outubro, no entanto, Trump disse que a Argentina tinha o apoio dos EUA para se juntar primeiro ao órgão.

PEQUENO É BOM

Magwood disse que o Brasil estava fazendo a coisa certa ao concluir sua terceira usina nuclear, Angra 3, na costa sul do Rio de Janeiro, apesar do preço para concluir o trabalho, estimado em cerca de 15 bilhões de reais.

A empresa estatal de energia nuclear Eletronuclear está buscando um parceiro para Angra 3 e restringiu as opções para a chinesa National Nuclear Corp (CNNC), a francesa EDF ou a russa Rosatom.

"É um investimento tão grande que faz sentido avançar e finalizar a usina, mas, além disso, o Brasil deve começar a procurar novas tecnologias", disse Magwood.

Magwood afirmou que o Brasil está certo em planejar novos reatores porque as preocupações com as mudanças climáticas exigirão energia mais limpa para o futuro, e as autoridades brasileiras com quem ele falou disseram que o país está atingindo os limites de seu potencial hidrelétrico.

Enquanto o governo estuda planos para construir mais usinas nucleares no Nordeste, seria bom estudar pequenos reatores que são mais baratos e seguros e podem ser construídos em maior número, disse ele.

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