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FMI diz que precisa de detalhes de planos da Argentina antes de discutir reestruturação de dívida

O ministro da Economia da Argentina, Martin Guzman - Mariana Greif
O ministro da Economia da Argentina, Martin Guzman Imagem: Mariana Greif

12/12/2019 14h19

WASHINGTON (Reuters) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) compartilha o objetivo do novo governo da Argentina de reduzir a pobreza e promover o crescimento sustentável, mas precisa de detalhes sobre seus planos econômicos antes de discutir qualquer reestruturação da dívida, disse um porta-voz do fundo nesta quinta-feira.

O novo chefe da economia da Argentina, Martín Guzmán, descreveu na quarta-feira a terceira maior economia da América Latina como "extremamente frágil" e disse que seu atual acordo com o fundo fracassou e precisa ser reformulado. Ele disse que o novo governo está em negociações construtivas com o credor global.

O porta-voz do FMI Gerry Rice disse que o credor continuará envolvido com o novo governo, mas alertou contra tirar conclusões precipitadas.

"É importante não nos precipitarmos... estamos em um estágio muito inicial", disse Rice a repórteres em uma entrevista regular. "O novo governo está apenas assumindo sua posição. O importante é ouvir as autoridades argentinas sobre suas prioridades, seus planos."

A Argentina está enfrentando duras negociações de reestruturação com seus credores devido a um pagamento iminente de dívidas, inclusive com o FMI, que concordou com um contrato de empréstimo de 57 bilhões de dólares com o ex-presidente da Argentina, Mauricio Macri, no ano passado.

Rice disse que Guzmán se reuniu com a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, em Washington, antes da posse do novo governo nesta semana, e funcionários do fundo estavam conversando sobre os amplos contornos do novo governo de Alberto Fernández, um peronista moderado que assumiu como presidente na terça-feira.

Em outubro, Fernández derrotou Macri, um defensor do livre mercado cuja popularidade foi esmagada por políticas fiscais rígidas sancionadas por um acordo de empréstimo firmado com o FMI no ano passado.

Macri foi forçado a procurar o FMI para interromper a fuga do peso, já que os mercados se preocupavam com a capacidade da Argentina de pagar suas dívidas. A moeda local perdeu mais de 83% de seu valor em relação ao dólar durante o mandato de quatro anos de Macri.

Rice disse que o FMI concordou que as conversas com o governo de Fernández foram construtivas até agora, e disse que não tinha conhecimento de nenhum plano para uma reunião da diretoria do FMI a fim de discutir condições econômicas na Argentina antes do final do ano.

(Por Andrea Shalal)