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Banco Indusval tem aval do Cade para entrar em comercialização de energia elétrica

13/01/2020 11h22

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Indusval recebeu autorização do órgão brasileiro de defesa da concorrência para uma aquisição que mira viabilizar a entrada da instituição financeira no mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil.

O Indusval havia solicitado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aval para a compra da Crípton Comercializadora de Energia junto ao Grupo Matrix, que atua no setor de comercialização e é controlado pelo grupo multinacional DXT Commodities.

O negócio foi aprovado "sem restrições" pelo Cade, de acordo com despacho publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira.

A transação acontece em momento aquecido no chamado mercado livre de energia, segmento em que grandes consumidores, como indústrias, podem negociar o suprimento de energia diretamente junto a geradores e comercializadoras.

O número de comercializadoras de energia em operação no Brasil saltou 19% entre janeiro e outubro, para 324 empresas, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A Crípton, alvo da aquisição do banco Indusval, ainda não possui operações no mercado elétrico, de acordo com o parecer do Cade que analisou a operação.

O negócio, no entanto, não é incomum-- com o aquecimento do mercado de comercialização, alguns empresários do ramo têm apostado na criação de companhias "de prateleira" para posterior venda a terceiros interessados em adentrar o ramo, segundo fontes do setor.

"A operação faz parte da estratégia do Banco Indusval de expandir seus negócios no Brasil, passando a atuar no setor de comercialização de energia elétrica", apontou o órgão estatal.

A expansão do mercado livre tem atraído novos investidores para as operações de compra e venda de eletricidade. O banco Santander, por exemplo, criou uma unidade de comercialização de energia no final de 2018, enquanto a Cosan fechou em dezembro passado a compra da Compass Energia por 95 milhões de reais.

O Itaú Unibanco também pretende entrar no segmento com a criação de uma unidade de comercialização que será liderada pelo ex-chefe da área no banco BTG Pactual Oderval Duarte, segundo reportagem do Valor Econômico nesta segunda-feira.

Já o Banco Indusval não possuía até o momento negócios em compra e venda de energia, assim como seu controlador, o Grupo BI & Partners, segundo a análise do Cade.

Tanto o controlador do banco quanto o Grupo Matrix tiveram faturamento superior a 750 milhões de reais em 2018, mostraram os documentos do órgão antitruste, que não detalham os números e nem revelam o valor da aquisição da Crípton.