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"O diabo está nos detalhes"; UE diz que vai verificar acordo EUA-China

Por Kylie MacLellan e Andrea Shalal
Imagem: Por Kylie MacLellan e Andrea Shalal

16/01/2020 11h30

Por Kylie MacLellan e Andrea Shalal

LONDRES/WASHINGTON (Reuters) - A União Europeia verificará se o grande acordo firmado entre Estados Unidos e China está em conformidade com as regras globais de comércio, disse o chefe de comércio do bloco nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, EUA e China reduziram sua briga comercial de 18 meses que afetou o crescimento econômico global, assinando um acordo inicial segundo o qual a China aumentará as compras de bens e serviços dos EUA em 200 bilhões de dólares em dois anos, em troca da reversão de algumas tarifas.

"O diabo está nos detalhes", disse o Comissário de Comércio da UE, Phil Hogan, durante uma conferência em Londres, falando por chamada de vídeo de Washington, onde se encontrará com autoridades norte-americanas nesta semana. Ele acrescentou que, até agora, os detalhes são "um pouco suspeitos".

"Eles deixaram a estrutura usual para fazer acordos ... e estão negociando diretamente em uma base bilateral e teremos que avaliar se isso é compatível com a OMC."

Hogan disse que "reformas estruturais" na China que a UE e os Estados Unidos queriam não foram abordadas no acordo, e que a UE quer ver o que está em discussão na segunda fase das negociações entre os Estados Unidos e a China.

Ele também disse que os Estados Unidos e a UE precisam urgentemente resolver sua disputa sobre subsídios a aeronaves. Somente Pequim e a indústria aeroespacial chinesa, disse ele, se beneficiarão de uma disputa tarifária transatlântica.

Questionado sobre uma briga entre os EUA e a França sobre um imposto digital que fez Washington ameaçar impor taxas de até 100% sobre produtos franceses, Hogan disse que acha que uma maneira de implementar um imposto global sobre gigantes de tecnologia como Amazon e Google será encontrada eventualmente.

Sobre a reforma da Organização Mundial do Comércio, Hogan disse que espera que os Estados Unidos avancem apenas em 2021, após a eleição presidencial de novembro deste ano.