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FMI reduz estimativas de crescimento global em 2020

Por David Lawder
Imagem: Por David Lawder

David Lawder

Washington

20/01/2020 10h19

Por David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta segunda-feira sua estimativa de crescimento global em 2020 devido a desacelerações mais fortes do que o esperado na Índia e em outros mercados emergentes, mas disse que o acordo comercial EUA-China é outro sinal de que o comércio e a atividade manufatureira podem já ter atingido seu pior momento.

O FMI disse que o crescimento global alcançará 3,3% em 2020, contra 2,9% em 2019, que foi o ritmo mais fraco desde a crise financeira há uma década. As estimativas para ambos os anos foram reduzidas em 0,1 ponto percentual em relação às projeções feitas em outubro.

O crescimento vai melhorar ligeiramente a 3,4% em 2021, mas essa estimativa também foi reduzida em 0,2 ponto percentual sobre outubro, disse o FMI.

As reduções refletem a reavaliação do FMI das projeções econômicas para vários dos principais mercados emergentes, especialmente a Índia, onde a demanda doméstica desacelerou mais acentuadamente do que o esperado em meio à contração do crédito e ao estresse no setor não bancário.

O FMI também disse que reduziu as previsões para o Chile, devido aos distúrbios sociais, e para o México, por conta da fraqueza contínua no investimento.

O Fundo afirmou que o alívio nas tensões entre os Estados Unidos e a China, que haviam prejudicado o crescimento do PIB em 2019, impulsionou o sentimento do mercado em meio a sinais "tímidos" de que o pior já passou no comércio e na manufatura.

"Esses sinais iniciais de estabilização podem persistir e, eventualmente, reforçar o vínculo entre os gastos do consumidor, ainda resilientes, e os gastos melhorados das empresas", afirmou o FMI.

A perspectiva cautelosa do Fundo assume que não haverá novas escaladas nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, e que o Reino Unido executará uma saída organizada da União Europeia no final de janeiro.

O FMI melhorou a previsão de crescimento da China para 2020 em 0,2 ponto percentual, a 6,0%, já que o acordo com os EUA inclui uma redução tarifária parcial e o cancelamento de tarifas sobre produtos chineses planejadas para dezembro do ano passado. Essas tarifas estavam incorporadas nas previsões anteriores do Fundo Monetário Internacional.

No entanto, o FMI não melhorou sua previsão de crescimento para os Estados Unidos. Pelo contrário, disse que o crescimento norte-americano pode ser 0,1 ponto percentual mais baixo do que o projetado em outubro (+2,0%), devido à redução dos efeitos dos estímulos dos cortes de impostos de 2017 e da flexibilização da política monetária do Federal Reserve.

A expectativa para a Índia em 2020 foi reduzida em 1,2 ponto percentual, para 5,8%, devido ao aperto do crédito doméstico. O estímulo monetário e fiscal deve impulsionar a taxa de crescimento indiana a 6,5% em 2021, embora essa leitura ainda esteja 0,9 ponto abaixo do previsto em outubro.

Já o México crescerá apenas 1,0% em 2020, ante 1,3% previsto em outubro.