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Preços da gasolina na Ásia despencam por preocupações com vírus na China

29/01/2020 10h04

Por Seng Li Peng

CINGAPURA (Reuters) - Os preços de referência da gasolina na Ásia tiveram a maior queda em quase quatro anos nesta terça-feira, enquanto os lucros de refinarias com a fabricação do combustível atingiram mínimas de sete meses, em meio à rápida disseminação do novo coronavírus na China que levantou preocupações sobre a demanda no país, segundo maior consumidor global do produto.

O número de mortos pelo vírus na China cresceu significativamente nesta quarta-feira, enquanto a mobilidade no país tem sido reduzida. As pessoas têm evito sair para evitar uma infecção e empresas liberaram seus funcionários para trabalhar de casa.

Temores sobre a disseminação do vírus também levaram companhias aéreas pelo mundo a reduzir voos para e da China, o que derrubou a demanda por combustível de aviação na Ásia.

As margens sobre a produção de gasolina na Ásia, que já estavam sob pressão devido à ampla oferta desde dezembro, caíram para 2,94 dólares por barril na terça-feira, o menor nível desde junho.

A queda foi principalmente devido a um recuo de 7,7% nos preços da gasolina de octanagem 92, a maior queda percentual diária desde fevereiro de 2016.

"A situação permanece muito volátil, mas o mercado parece estar precificando um crescimento da demanda global por petróleo mais fraco do que o esperado, apesar da recuperação esperada no comércio global em comparação com 2019", disseram analistas do Citi, liderados por Ed Morse, em nota.

"As margens regionais de refino podem ser triplamente atingidas por uma demanda mais fraca devido ao surto (do vírus), às fortes exportações (de combustíveis) da China e a potencial escalada de problemas de oferta devido à geopolítica", disseram eles, em referência a bloqueios sobre a indústria de petróleo da Líbia.

Ainda assim, analistas e fontes da indústria dizem que as margens da gasolina podem receber suporte no curto prazo de possíveis cortes de produção por refinarias chinesas, que também podem vender óleo combustível com baixo teor de enxofre (VLSFO), em vez de usá-lo para fabricar gasolina, devido à entrada em vigor de novas regras globais sobre combustíveis marítimos.

"O complexo global de gasolina está em situação muito mais saudável este ano do que no ano passado e, embora um declínio na demanda na China seja um elemento baixista, um retorno sustentado às margens negativas na gasolina é improvável", disse a analista líder para Ásia da consultoria JBC Energy em Viena, Kostantsa Rangelova.