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Guedes cancela viagem aos EUA para dar foco à reforma tributária

Para a próxima semana, expectativa é de apresentação da proposta para unificação dos impostos federais PIS e Cofins - Daniel Resende/Futura Press/Estadão Conteúdo
Para a próxima semana, expectativa é de apresentação da proposta para unificação dos impostos federais PIS e Cofins Imagem: Daniel Resende/Futura Press/Estadão Conteúdo

Marcela Ayres

06/03/2020 17h32

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou viagem aos Estados Unidos na próxima semana e ficará no Brasil para defesa e encaminhamento das reformas econômicas ao Congresso, após ter sinalizado que formalizaria o envio da reforma administrativa e sugestões para a reforma tributária sem, contudo, ter tomado ações concretas até agora.

Para a próxima semana, a perspectiva é de apresentação da proposta do Executivo para uma primeira fase da reforma tributária, envolvendo apenas a unificação dos impostos federais PIS e Cofins.

Além de integrar a comitiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em viagem à Miami, Guedes iria a Washington, onde participaria de reuniões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial, tendo também na agenda um encontro com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

A decisão de ficar no país ocorre em meio a um momento de turbulências nos mercados, com forte escalada do dólar frente ao real, disseminação do coronavírus pelo mundo e forte sinalização do Banco Central de que poderia cortar os juros básicos neste cenário.

Nesta sexta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez críticas ao ritmo do andamento das reformas. "Nós já perdemos algum tempo. Aqui não é espaço para encontrar culpados, não existem culpados, mas nós estamos atrasados", disse Maia durante evento da Fundação FHC, em São Paulo.

E completou: "Acho que é responsabilidade do Congresso e do governo colocar esses projetos para avançar. Temos um olhar para o futuro que precisa das reformas, mas também temos problema de curto prazo, uma crise econômica que foi agravada pela questão do coronavírus, e cabe aos poderes encontrar as soluções para que essa crise afete menos a sociedade brasileira".

Segundo Maia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que irá convocar uma reunião na próxima semana com a presença de Guedes, membros da equipe econômica e líderes da Câmara e do Senado para discutir e buscar caminhos em conjunto.

Agenda nos EUA

O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo, é quem representará o Ministério da Economia na viagem aos Estados Unidos. Ele participará de seminários tanto em Miami quanto em Washington.

À Reuters, ele afirmou que destacará a mensagem de determinação do governo brasileiro de seguir em frente com as reformas. "É reforma, reforma e reforma", disse.

Um memorando de entendimento deverá ser assinado entre a secretaria do Tesouro norte-americano e o Ministério da Economia para aumentar o grau de institucionalidade e aderência às melhores práticas em investimentos em infraestrutura, em mais um passo em direção ao processo de entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Em janeiro, os EUA indicaram o apoio ao ingresso brasileiro no lugar da Argentina, numa vitória para o governo de Bolsonaro, um admirador do presidente norte-americano, Donald Trump, e que busca laços mais próximos com Washington desde que assumiu o poder no ano passado.

A adesão à OCDE é vista como um selo de aprovação que aumentaria a confiança dos investidores no governo e na economia do Brasil.