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Bolsonaro deu passos errados e precisa se reorganizar, diz governador do Espírito Santo

10.dez.2019 - Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, na redação do UOL - Lucas Lima/UOL
10.dez.2019 - Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, na redação do UOL Imagem: Lucas Lima/UOL

Anthony Boadle

02/04/2020 18h50

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro atrapalha ao fazer declarações que destoam das recomendações do Ministério da Saúde para o enfrentamento do coronavírus e precisa se organizar, sob o risco de ficar isolado ou dar margem a uma crise institucional.

À frente do Estado que registrou seu primeiro óbito hoje em decorrência da nova doença, Casagrande cobrou que o governo atue de forma ativa na coordenação das ações relacionadas à crise e trabalhe em uma "mensagem estável" sobre as recomendações a serem seguidas.

"O presidente deu passos errados nesses últimos dias. Ele perdeu na sociedade e perdeu na política. Ele precisa se reorganizar para não ficar isolado. Presidente isolado corre risco no mandato", disse o governador à Reuters.

"O pronunciamento último dele já foi mais equilibrado. Queremos que ele se reorganize porque ninguém quer uma crise institucional. Mas para ter apoio, ele tem que ter uma postura de preservar vidas. Ele tem que compreender isso", avaliou, referindo-se a pronunciamento presidencial desta semana em que Bolsonaro abaixou o tom e propôs um pacto para o enfrentamento da crise.

Na última semana, também em pronunciamento em rede nacional de rádio e tv, o presidente reclamou das restrições de circulação de pessoas impostas por governadores, desautorizando as recomendações de isolamento do Ministério da Saúde, e referiu-se à nova doença como uma "gripezinha", provocando uma onda de reações negativas por parte dos chefes dos Executivos estaduais e críticas da sociedade.

Nesta tarde, o presidente voltou a minimizar a pandemia, dizendo que "não é isso tudo que estão pintando".

Para Casagrande, as declarações desencontradas do presidente "deixaram dúvidas nas cabeças das pessoas" e afrouxaram o isolamento social.

"Da declaração do presidente para cá, mais pessoas foram para as ruas."

"O que está faltando é uma mensagem estável do governo federal. Há boas mensagens através do Ministério da Saúde, mas o presidente da República de vez em quando tem destoado da mensagem", avaliou.

Casagrande relatou que o Espírito Santo tomou medidas há três semanas, na tentativa de convencer a sociedade sobre a necessidade do distanciamento social e do distanciamento do grupo de risco.

"Isso deu tempo para conter a velocidade da curva de contágio e dar tempo para preparar o sistema hospitalar", disse.

De acordo com o governador, o Estado está criando 400 leitos de UTI —120 deles já estão prontos. Ainda segundo Casagrande, há 12 leitos sendo utilizados no momento.

(Texto de Maria Carolina Marcello)

Economia