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Potencial da 2ª safra de milho do Brasil pode ser reduzido por clima, dizem analistas

16/04/2020 12h05

SÃO PAULO (Reuters) - A segunda safra de milho do Brasil na atual temporada pode ter seu potencial reduzido devido a questões climáticas nas próximas semanas, em um ano em que o plantio atingiu um recorde de 13,2 milhões de hectares, disseram consultorias nesta quinta-feira.

Produtores brasileiros podem colher 73,9 milhões de toneladas de milho na chamada "safrinha" no ciclo 2019/20, abaixo das 74,3 milhões de toneladas estimadas no ano anterior, projetou a INTL FCStone em apresentação.

As duas próximas semanas serão cruciais para as produtividades, acrescentou a consultoria Rural Clima, que disse nesta quinta-feira que chuvas insuficientes poderiam afetar a produção de milho no Mato Grosso do Sul e no Paraná.

"Os modelos para as regiões Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul mostram chuva somente na virada do mês, ou seja, no final da próxima semana. E isso pode levar a um estresse hídrico nas lavouras de milho, que já estão suscetíveis apesar das chuvas desta semana", disse o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos.

Segundo ele, se isso se confirmar, o país pode ter novas reduções no potencial produtivo do milho.

Os preços domésticos do milho no Brasil seguem elevados em meio a um consumo local aquecido, disse a FCStone, acrescentando que as vendas futuras da segunda safra estão em 58%, sinalizando fortes exportações no segundo semestre de 2020.

A segunda safra de milho do Brasil é plantada depois que a soja é colhida, e atrasos no plantio de soja nesta temporada resultaram em uma semeadura fora da janela ideal em determinadas áreas.

A segunda safra de milho responde por cerca de 75% da produção total brasileira do cereal.

SOJA

As exportações de soja do Brasil devem totalizar 76 milhões de toneladas em 2020, com embarques em abril provavelmente atingindo um recorde devido à demanda da China, disse a FCStone.

A analista Ana Luiza Lodi disse que dados do line-up de navios mostram que o Brasil pode exportar 14,7 milhões de toneladas neste mês, em linha com projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Embora os dados de embarcações e os dados oficiais de exportações possam ser diferentes, os números indicam que as exportações de soja do Brasil certamente serão fortes em abril, acrescentou ela.

A China deve ficar com cerca de 80% da soja brasileira neste ano, acima dos 78% em 2019 e comparado com 82% em 2018, segundo dados da FCStone.

(Por Ana Mano; reportagem adicional de Roberto Samora)

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