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Produtores de etanol europeus temem competição com produto dos EUA e Brasil

06/05/2020 12h25

Por Sybille de La Hamaide

PARIS (Reuters) - Um fluxo de etanol barato dos Estados Unidos e do Brasil ameaça produtores europeus, enquanto as operações são retomadas na Europa, disseram empresas do setor à Comissão Europeia, pedindo ações para proteger a indústria, que tem sofrido com uma queda na demanda.

A forte redução em viagens de carro e avião devido à pandemia de coronavírus impactou o setor de biocombustíveis ao redor do mundo, forçando empresas a cortar drasticamente a produção e preços, principalmente nos principais produtores, EUA e Brasil.

Os dois países respondem por cerca de 55% e 30% da produção global de etanol, respectivamente.

Produtores europeus de etanol agora temem que estoques recordes nesses países os levem a aumentar os embarques para a Europa quando medidas de confinamento forem relaxadas.

Eles pediram à Comissão Europeia uma ação rápida, incluindo potenciais tarifas.

"A ameaça de danos é flagrante", disse a associação de fabricantes de etanol da União Europeia, ePure, em uma carta ao órgão executivo da UE.

"Os estoques altos recordes podem inundar a preços baixos um mercado europeu já deprimido".

O governo da França, principal produtora de etanol combustível da UE, está preparando um pedido formal ao bloco, disse na semana passada o ministro de meio ambiente do país, sem detalhar.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

O etanol dos EUA havia sido efetivamente banido do mercado europeu entre 2013 e 2019 por taxas antidumping, mas a Comissão Europeia revogou essas tarifas em maio do ano passado, dizendo que era improvável uma recorrência do dumping.

As importações de etanol dos EUA saltaram em 2019, com 3,85 milhões de hectolitros importados, ante 1,15 milhão em 2018, mostraram dados do Eurostat.

Dados preliminares de 2020 mostram que a tendência continuou nos primeiros meses do ano, disse o ePure.

Ainda assim, analistas e traders dos EUA foram cautelosos com a previsão de um aumento nas exportações.

"Todos esperamos que as exportações sejam menores que no ano passado. Essa é uma suposição razoável, com base em uma demanda menor em todo o mundo", disse Craig Willis, vice-presidente sênior de mercados globais da Growth Energy, um grupo comercial de biocombustíveis dos EUA.

O etanol brasileiro se beneficiaria da forte desvalorização do real, que está sendo negociado perto de uma mínima histórica em relação ao dólar.

Isso torna as exportações particularmente atraentes para as usinas brasileiras em um momento em que a demanda local cai cerca de 40%, disse Matheus Sleiman da Costa, analista de açúcar e etanol de São Paulo no INTL FCStone.

Dados alfandegários brasileiros divulgados na segunda-feira mostraram que as exportações de álcool, uma categoria em que o etanol compõe a maior parte dos volumes, quase triplicaram em abril para 134,3 milhões de litros, contra apenas 46,1 milhões de litros no ano anterior. Os volumes reportados são para todos os destinos.

(Com reportagem adicional de Marcelo Teixeira e Stephanie Kelly em Nova York, Michael Hogan em Hamburgo e Nigel Hunt em Londres)

Economia