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Ibovespa fecha em queda com saída de ministro agravando receios em meio a pandemia

15/05/2020 17h49

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, com a renúncia do ministro da Saúde adicionando ruídos ao cenário político, em meio a um ambiente já complicado para o mercado financeiro brasileiro em razão de desdobramentos da pandemia do Covid-19.

Uma bateria de resultados corporativos também ocupou as atenções, enquanto agentes financeiros reavaliam preços de ações após alguma recuperação no mês passado, diante de um cenário econômico ainda sombrio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,84%, a 77.556,62 pontos, tendo oscilado dos 77.426,10 pontos aos 79.538,23 pontos. O volume financeiro somou 26 bilhões de reais.

Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 3,37%.

Nelson Teich pediu demissão do cargo de ministro da Saúde, menos de um mês após assumir, em decorrência de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, na segunda troca de comando do ministério em meio ao avanço da pandemia do Covid-19 pelo país.

"É mais um ministro desautorizado pelo presidente", mais um ruído em tão pouco tempo", observou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital.

Teich vinha sendo cobrado pelo presidente a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento à Covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução.

Para a Guide Investimentos, a saída é mais uma confirmação da volatilidade que define cada vez mais o governo, avaliando ser preocupante a iniciação de outro processo de acomodação na Saúde em meio à escalda de uma grave crise sanitária.

Na mesma direção, Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, destacou que a notícia trouxe mais instabilidade política, aumentando assim a preocupação do investidor.

"O que será preciso ver agora é se essa decisão irá afetar a relação política do governo com a base que está montando junto com o Centro", avalia.

A pauta brasileira contemplou ainda o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que retraiu 5,90% em março ante o mês anterior - menos do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de queda de 6,95%..

De acordo com Felipe Sichel estrategista-chefe do modalmais, o dado reflete a primeira parte da retração da economia em consequência as medidas de isolamento social implementadas desde meados de março e deve manter o movimento na próxima leitura.

No exterior, Wall Street teve dia volátil, contrabalançando dados econômicos e novos atritos comerciais entre os Estados Unidos e a China, mas conseguiu fechar no azul, com variação positiva de 0,39%.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN teve baixa de 1,44%, depois de ter chegado a subir 4,5% no começo da sessão, após reportar prejuízo histórico de 48,5 bilhões de reais de janeiro a março, com analistas destacando o bom desempenho operacional da companhia e a geração de caixa. PETROBRAS ON teve variação positiva de 0,06%. A companhia disse que já observa recuperação das vendas de gasolina e diesel no Brasil em maio, e que pode cortar mais custos.

- CYRELA ON caiu 7,19%, após divulgar lucro líquido de 28 milhões de reais no primeiro trimestre, queda ante os 48 milhões de reais no mesmo período de 2019. Executivos da empresa disseram que a geração de caixa deve diminuir, embora ainda seguir positiva, e que só pagará dividendo mínimo obrigatório este ano.

- SUZANO ON recuou 5,28%, em meio ao prejuízo líquido de 13,4 bilhões de reais no primeiro trimestre, afetado pelo forte impacto da valorização do dólar na dívida em moeda estrangeira. O Ebitda ajustado, contudo, subiu 10%. Executivos da companhia afirmaram ver motivos estruturais para elevar preços de celulose nos EUA e Europa no fim deste trimestre, mas que a demanda por papel de imprimir e escrever segue em queda.

- JBS ON perdeu 4,58%, após apresentar prejuízo de 5,9 bilhões de reais no primeiro trimestre, uma vez que a forte valorização do dólar atingiu em cheio a linha financeira da companhia, ofuscando o aumento da receita. Em teleconferência com analistas, a empresa disse que a demanda nos EUA, sua principal geradora de receita, está muito forte, com regiões reduzindo medidas de isolamento social.

- CSN ON cedeu 6,08%, após prejuízo líquido de 1,3 bilhão de reais no primeiro trimestre, resultado que mostrou quedas nas vendas de aço e minério de ferro impactadas pelos efeitos da pandemia de coronavírus e chuvas do início do ano. A alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda subiu para 4,78 vezes. No setor de mineração e siderurgia, VALE ON perdeu 0,08%.

- B3 ON valorizou-se 4,55%, com a volatilidade do mercado financeiro devido à crise do coronavírus turbinando as receitas do primeiro trimestre da companhia, que reafirmou meta de pagar até 150% do lucro aos acionistas em 2020.

- LOCALIZA ON subiu 3,11%, um dia após reportar aumento no lucro líquido do primeiro trimestre, para de 231 milhões de reais, desempenho que não registrou impacto completo do fechamento de lojas e restrições à circulação geradas pela epidemia de Covid-19 no final de março. Em teleconferência, a empresa disse que não deve fazer baixas contábeis para eventual aumento da depreciação de seus ativos.

- FLEURY ON fechou em baixa de 3,26%. A rede de clínicas de medicina diagnóstica teve queda no lucro do primeiro trimestre, acusando os primeiros efeitos do coronavírus.

- SABESP ON declinou 5,83%, após prejuízo líquido de 657,9 milhões de reais no primeiro trimestre, ante lucro de 647 milhões um ano antes, com aumento de despesas financeiras decorrente da valorização do dólar e aumento de provisões em meio à pandemia do Covid-19. Também no radar está o início das discussões de revisão tarifária.

- ITAÚ UNIBANCO PN teve variação negativa de 4,08% e BRADESCO PN caiu 4,31%, enquanto agentes financeiros continuam monitorando potenciais medidas contra o Covid-19 com efeitos potencialmente nocivos ao sistema financeiro. BANCO DO BRASIL ON recuou 1,88%.