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Ministério mudará orientação para que pessoa com sintomas de Covid busque tratamento imediato, diz Carlos Wizard

03/06/2020 18h10

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Saúde passará a orientar que pacientes com sinais leves de Covid-19 procurem imediatamente um médico para iniciar um tratamento contra a doença e que seus parentes também sejam tratados para evitar desenvolvê-la, disse à Reuters o empresário Carlos Wizard, que será o novo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde.

Até agora, a indicação era que pacientes com sintomas leves ficassem em quarentena domiciliar e evitassem procurar os serviços de saúde. A medida tinha o objetivo tanto de evitar que as pessoas, no caso de não terem a doença, aumentarem o risco de contraí-la, quanto para não piorar a superlotação de locais de atendimento, especialmente nos serviços públicos de saúde.

"Decidimos, o ministro (general Eduardo Pazuello) e eu, defendermos o tratamento precoce. Está contaminado passa a ter tratamento imediato e os membros passam a receber o tratamento profilático, porque invariavelmente vão ser contaminados por viverem no mesmo ambiente", disse Wizard em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Wizard, que não teve ainda sua nomeação publicada no Diário Oficial, confirmou o convite feito pelo ministro interino Pazuello para assumir a secretaria e disse que sua nomeação deve sair ainda esta semana, mas que já vem trabalhando há algum tempo como conselheiro no ministério.

O novo secretário explica que essa determinação vem da necessidade de evitar que os casos da doença se agravem.

"O antigo ministro dava orientação para ficar em casa. Acontecia que a pessoa ficava em casa, não recebia tratamento, passava para a fase 2, a fase 3, quase morrendo buscava atendimento médico, era entubada, ia para UTI... É lamentável que tenhamos perdido milhares de vida por esse protocolo", afirmou.

Pazuello assumiu como interino no mês passado no lugar de Nelson Teich, que deixou o cargo menos de um mês após substituir Luiz Henrique Mandetta, por sua vez demitido em abril pelo presidente Jair Bolsonaro por divergências sobre a forma de combater a pandemia.

Sem um medicamento específico para a Covid-19, explica Wizard, o paciente receberá um tratamento de acordo com a decisão do médico, ao avaliar as condições de saúde da pessoa.

No mês passado, o Ministério da Saúde publicou um protocolo que recomenda aos médicos o uso do medicamento para malária cloroquina mesmo em casos leves da Covid-19, ampliando a recomendação que antes era apenas para casos graves. A mudança foi feita por pressão de Bolsonaro, que defende o uso do medicamento apesar da falta de eficácia comprovada contra a Covid-19.

"Não existe um medicamento que cure a Covid. Existe uma nota técnica que o ministério emitiu que sugere uma série de medicamentos. Vai depender do médico avaliar quais deve adotar. Não existe um medicamento único para atender toda população, porque existem condições diferentes de idade, saúde, histórico médico", explicou.

A inspiração para a mudança nas orientações sobre o tratamento veio, segundo Wizard, de um conselho consultivo que tem, entre seus membros, a oncologista Nise Yamaguchi, que desenvolveu um protocolo de uso de hidroxicloroquina combinada com azitromicina para tratar casos iniciais da Covid, e o médico Antônio Cássio Prado, prefeito da cidade de Porto Feliz (SP), que Wizard cita como um exemplo.

Na cidade, o prefeito passou a distribuir, em postos de saúde, um kit com medicamentos -- entre eles, a hidroxicloroquina, azitromicina, um anticoagulante, anti-inflamatórios e medicamento para náusea. Segundo Prado explicou em uma live, a pessoa pode pegar o kit para ter em casa ou quando começar a ter sintomas, para usá-lo durante cinco dias.

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