PUBLICIDADE
IPCA
0,26 Jun.2020
Topo

Ibovespa engata 6ª alta seguida com apetite a risco global

05/06/2020 12h19

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa avançava com força nesta sexta-feira, engatando o sexto pregão consecutivo de alta, amparado pela elevada liquidez global, além de expectativas otimistas sobre a retomada das economias pós-coronavírus por conta de esperanças de avanços em vacinas e medicamentos, em um cenário de juros bastante baixos no Brasil.

Às 12:06, o Ibovespa subia 2,85%, a 96.503,32 pontos, caminhando para o terceiro ganho semanal seguido. Na máxima até o momento, superou 97 mil pontos. O volume financeiro somava 14,6 bilhões de reais.

Na véspera, o Ibovespa avançou 0,89%, a 93.828,61 pontos, alta pelo quinto pregão consecutivo.

Wall Street também mostrava ganhos, em movimento respaldado pela queda inesperada na taxa de desemprego do país em maio. Isso fortaleceu expectativas de uma recuperação econômica mais rápida após a pandemia.

"O Brasil tem sido um dos grandes beneficiários da melhora do apetite por risco global", destacou a equipe do BTG Pactual em nota enviada pela área de gestão de recursos do banco.

O analista Matheus Soares, da Rico Investimentos, chama a atenção para a farta liquidez global, lembrando que muito dinheiro foi injetado nas economias globais com o objetivo de minimizar os impactos econômicos causados pela epidemia, conforme nota a clientes.

"Com dinheiro em abundância em um cenário de juros baixos no mundo todo, digamos que o dinheiro parado ‘queima’ na mão."

No Brasil, gestores também têm citado que a perspectiva de uma taxa Selic ao redor de 2% corrobora a migração dos recursos para ativos com chance de maior retorno, como as ações.

DESTAQUES

- GOL PN disparava 9,21% após acordo com pilotos e comissários para flexibilizar jornada e salários até 2021, em medida que pode se tornar uma referência para outras empresas do setor aéreo. Dados operacionais melhores em maio ante abril no mercado doméstico e nova queda do dólar em relação ao real endossavam a alta. AZUL PN saltava 11%. Ainda no setor de viagens, CVC ON valorizava-se 8,69%.

- YDUQS ON avançava 8,91%, após acertar a compra da Athenas, grupo educacional com unidades em Rondônia, Acre e Mato Grosso, em transação que pode movimentar até 300 milhões de reais. "A aquisição amplia a atuação da Yduqs em regiões ainda pouco exploradas, ampliando os ganhos de sinergias", avaliou a equipe da Guide Investimentos. No setor de educação, COGNA ON tinha acréscimo de 5,34%.

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON valorizavam-se 3,36% e 3,56%, respectivamente, na esteira de forte alta do petróleo no exterior antes de uma reunião da Opep e seus aliados liderados pela Rússia no sábado para discutir a extensão dos cortes recordes na produção. A petrolífera também iniciou o processo de venda de suas participações em cinco sociedades de geração de energia elétrica.

- ITAÚ UNIBANCO PN tinha elevação de 4,8% e BRADESCO PN subia 4,52%, respaldados pelo clima positivo no mercado como um todo, corroborando a alta do Ibovespa. BANCO DO BRASIL ON avançava 4,29% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizava-se 5,49%.

- VALE ON mostrava variação positiva de apenas 0,54%, uma vez que os contratos futuros de minério de ferro negociados na China caíram nesta sexta-feira, embora tenham registrado o quinto ganho semanal consecutivo, diante de perspectivas de demanda forte para o ingrediente siderúrgico no país, além de preocupações com a oferta do importante exportador Brasil.

- SUZANO ON recuava 3,94%, com exportadoras entre os destaques negativos diante da queda de cerca de 3% do dólar ante o real, com a moeda sendo negociada abaixo de 5 reais. KLABIN UNIT cedia 1,32%. No setor de proteínas, MARFRIG ON caía 2,43%, MINERVA ON perdia 1,42%, BRF ON tinha queda de 0,51% e JBS ON mostrava decréscimo de 0,61%.

- RESTOQUE ON, que não está no Ibovespa, despencava 7,95%. A empresa anunciou acordo de recuperação extrajudicial envolvendo todo seu endividamento financeiro. De acordo com fonte ouvida pela Reuters, as dívidas envolvidas no acerto chegam a 1,5 bilhão de reais. No pior momento, a ação caiu 20%.

Economia