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Provisões extras do Santander Brasil são suficientes para crise da Covid-19, diz presidente

29/07/2020 13h02

Por Carolina Mandl

SÃO PAULO (Reuters) - O Santander Brasil provavelmente não vai precisar de provisões extraordinárias até o final do ano, depois de ter reservado 3,2 bilhões de reais para potenciais perdas em crédito geradas pela pandemia de Covid-19, afirmou o presidente-executivo do banco, Sergio Rial, nesta quarta-feira.

O comentário feito em entrevista a jornalistas ajudou a impulsionar as ações do banco nesta sessão, que subiam 3,2% às 12h45.

O lucro do Santander Brasil no segundo trimestre recuou 41,2% sobre um ano antes, para 2,1 bilhões de reais, principalmente por causa das provisões adicionais para inadimplência.

As provisões totais foram mais que o dobro das feitas no segundo trimestre de 2019, atingindo 6,5 bilhões de reais. Diferente de seus rivais, o Santander Brasil ainda não havia reservado recursos adicionais diante de uma esperada elevação da inadimplência.

O Santander Brasil prorrogou vencimentos de 49,8 bilhões de reais em dívidas, cerca de 13% de sua carteira de crédito, e as renegociações subiram 4 bilhões de reais em relação ao trimestre anterior. Rial afirmou que não está claro como a inadimplência vai se comportar, diante das atuais incertezas.

Porém, ele afirmou que a queda na taxa de juros e medidas de ajuda aprovadas pelo governo para empresas e pessoas físicas deve ajudar a conter a deterioração da qualidade dos ativos.

"Não ousaria fazer previsões agora", disse Rial quando perguntando sobre a perspectiva para as taxas de inadimplência do banco. Como os clientes receberam um período adicional de 90 dias para o vencimento das dívidas, a inadimplência verificada no segundo trimestre ainda não refletiu inteiramente potenciais perdas com empréstimos.

No segundo trimestre, a taxa de inadimplência do Santander Brasil sobre operações vencidas há 90 dias caiu de 3% no primeiro trimestre para 2,4% .

Analistas do BTG Pactual afirmaram que uma "leitura correta da qualidade dos ativos continua sendo uma tarefa bem difícil".

A rentabilidade sobre o patrimônio, um indicador da lucratividade de um banco, foi de 12%, uma queda de mais de 10 pontos percentuais sobre o primeiro trimestre, por causa do aumento das provisões.