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Vamos anunciar 3 a 4 grandes privatizações em até 60 dias, reitera Guedes

Ministro da Economia disse, em live, acreditar que o Congresso dará seu apoio às privatizações - Por Marcela Ayres
Ministro da Economia disse, em live, acreditar que o Congresso dará seu apoio às privatizações Imagem: Por Marcela Ayres

Marcela Ayres

06/08/2020 10h46

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que o governo irá anunciar nos próximos 30 a 60 dias a privatização de 3 a 4 grandes companhias, sem revelar o nome das empresas.

Em live promovida pela Fundación Internacional para la Libertad, o ministro disse, em inglês, acreditar que o Congresso dará seu apoio às privatizações, complementando que o presidente Jair Bolsonaro já concorda com as operações.

Há um mês, Guedes já havia dito que três ou quatro grandes privatizações estariam no radar do governo para serem tocadas neste ano.

À época, ele também não abriu o nome das companhias, mas avaliou que este seria um "excelente ano" para as subsidiárias da Caixa Econômica Federal (CEF) fazerem uma "grande" oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no valor de 20 bilhões de reais a 50 bilhões de reais, "bem maior até" que uma Eletrobras, segundo ele.

Nesta quinta-feira, o ministro pontuou que as estimativas do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) estão agora melhorando para uma contração pouco acima de 4% este ano, ante projeções que chegaram a se aproximar de uma queda de dois dígitos.

"Até o final do ano, já devemos estar de volta", afirmou Guedes.

Para 2021, ele afirmou que a ideia será reduzir dramaticamente as despesas, que foram afetadas neste ano pelas medidas extraordinárias para o enfrentamento à pandemia.

Ele estimou que o PIB poderá subir 3%, 3,5%, 4% no ano que vem e disse que o foco será ir mais fundo e mais rápido nas reformas econômicas.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Guedes defendeu que o governo não mira aumento nas receitas com a reforma tributária e frisou que a redução dos encargos trabalhistas está por trás do novo imposto que está sendo estudado pela equipe econômica.

O governo quer instituir imposto sobre transações para conseguir bancar alguma desoneração da folha de pagamento das empresas.

"Como não temos espaço fiscal para eliminar o imposto sobre o trabalho (contribuição sobre a folha), ao menos vamos reduzir alguns desses impostos e essa é a razão pela qual estamos considerando criar um outro imposto", disse.

O ministro disse ainda que não é correta a informação de que o novo imposto viria para bancar iniciativas populistas.

"O novo imposto está sendo desenhado e estudado exatamente para substituir o imposto cruel sobre o trabalho que produziu 40 milhões de invisíveis nas ruas no Brasil", afirmou.

Caso haja aumento das receitas tributárias no país em função das iniciativas pensadas na reforma tributária ele disse que as alíquotas serão reduzidas de imediato.

"Se as receitas subirem mais do que esperamos, vamos reduzir imediatamente as taxas. Não haverá aumento nas receitas tributárias no Brasil."

MEIO AMBIENTE

Sobre o meio ambiente, o ministro afirmou que o país não conta com recursos suficientes para preservação das florestas e voltou a dizer que o discurso de aumento das queimadas está ligado a interesses comerciais protecionistas.

"Não é justo, é como acusarmos os franceses de queimar catedrais. Não, foi um acidente, é bem difícil, você não pode prevenir tudo", disse.

"Se a floresta ainda tem problemas é porque não temos dinheiro o suficiente para preservar. E somos credores pelo Acordo de Paris. Os países avançados não estão desacelerando o suficiente suas emissões de carbono, eles deveriam comprar crédito de nós, mas essa não é a conversa, a conversa é só que estamos queimando florestas."