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Criação de vagas de trabalho nos EUA sofre forte desaceleração em julho

Pessoas aguardam em fila de emprego em uma loja de São Francisco, EUA - Por Lucia Mutikani
Pessoas aguardam em fila de emprego em uma loja de São Francisco, EUA Imagem: Por Lucia Mutikani

Lucia Mutikani

07/08/2020 09h43

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos desacelerou consideravelmente em julho, em meio ao ressurgimento das infecções de Covid-19, o que fornece a evidência mais clara de que a recuperação econômica da recessão causada pela pandemia está vacilando.

Os dados do Departamento de Trabalho aumentam a pressão sobre a Casa Branca e o Congresso para acelerarem negociações de um segundo pacote de ajuda econômica. A conversas têm caído em impasses sobre questões importantes como o tamanho de um benefício do governo para milhões de trabalhadores desempregados.

Um complemento do auxílio-desemprego de 600 dólares semanais venceu na sexta-feira passada, enquanto milhares de empresas utilizavam empréstimos cedidos pelo governo para ajudar no pagamento de salários.

"A recuperação dos empregos está em um terreno muito instável e, sem os cintos de segurança para os desempregados oferecidos pelo estímulo fiscal adicional, a economia pode ter uma jornada difícil pela frente", disse Chris Rupkey, economista-chefe do MUFG. "Não pode haver crescimento econômico sustentável se o país tiver que continuar com o peso esmagador do desemprego em massa."

Foram criadas 1,763 milhão de vagas de trabalho no mês passado, após recorde de 4,791 milhões em junho, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. Ainda assim, há 12,9 milhões de empregos a menos que antes da pandemia. O emprego nos EUA atingiu seu pico de 152,5 milhões de vagas em fevereiro.

A expectativa de economistas consultados pela Reuters era de criação líquida de 1,6 milhão de postos de trabalho em julho. Muitos dizem que julho foi provavelmente o último mês de ganhos de empregos relacionados à recontratação de trabalhadores após a reabertura de empresas no país.

A desaceleração do mercado de trabalho é mais uma má notícia para o presidente Donald Trump, que está ficando para trás nas pesquisas de opinião e atrás do ex-vice-presidente Joe Biden, o provável candidato do Partido Democrata para a eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro.

A economia, que entrou em recessão em fevereiro, sofreu seu maior golpe desde a Grande Depressão no segundo trimestre, com o Produto Interno Bruto (PIB) caindo ao ritmo mais forte em pelo menos 73 anos.

Infecções pela doença respiratória causada pelo Covid-19 dispararam em todo o país no mês passado, forçando autoridades em algumas das áreas mais afetadas no Oeste e no Sul dos Estados Unidos a fechar empresas novamente ou interromper sua reabertura, mandando trabalhadores de volta para casa. A demanda por bens e serviços no país diminuiu.

A desaceleração no crescimento do emprego no mês passado ocorreu em todos os setores, com exceção do governo. A indústria de lazer e hospitalidade contratou 592 mil trabalhadores, respondendo por cerca de um terço dos empregos fora do setor agrícola. A maior parte das vagas foi em restaurantes e bares. O emprego no varejo cresceu em 258 mil vagas, com quase metade do ganho em lojas de roupas e acessórios.

Os serviços profissionais e empresariais ganharam 170 mil empregos, concentrados nos serviços de ajuda temporária. O emprego público saltou em 301 mil vagas em julho, artificialmente impulsionado por ganhos substanciais na educação dos governos estadual e local.

A taxa de desemprego norte-americana caiu a 10,2%, de 11,1% em junho, mas o número tem sido pressionado para baixo por pessoas que se classificam erroneamente como "empregadas, mas ausentes do trabalho". Pelo menos 31,3 milhões de pessoas estavam recebendo auxílio-desemprego em julho.