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Proteína usada em cavalos gera anticorpos potentes contra coronavírus, aponta pesquisa brasileira

13/08/2020 18h10

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma proteína produzida em laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e inoculada em cavalos produziu anticorpos de 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo coronavírus do que os plasmas de pessoas que já tiveram a Covid-19, de acordo com pesquisa coordenada pela Coppe/UFRJ.

A proteína S recombinante do coronavírus foi utilizada em cinco cavalos do Instituto Vital Brazil (IVB), dos quais quatro apresentaram anticorpos neutralizantes em seus plasmas 70 dias após a inoculação, informou a Coppe/UFRJ em comunicado nesta quinta-feira.

“A proteína que produzimos na Coppe se mostrou muito efetiva para estimular a produção de anticorpos em cavalos, tendo-se obtido uma quantidade muito maior do que a de anticorpos encontrados em humanos que já contraíram Covid-19", disse a professora Leda Castilho, coordenadora do estudo, no comunicado.

"Diante da inexistência de terapias específicas para a doença, os anticorpos de cavalos produzidos pelo IVB são uma grande esperança de tratamento possível e específico para a Covid-19”, acrescentou.

A pesquisa, cujos resultados serão apresentados nesta quinta-feria durante sessão da Academia Nacional de Medicina, será depositada no MedRxiv, um repositório de resultados de estudos ainda a serem publicados em revistas científicas. Os pesquisadores também depositaram patente da invenção de soro anti-SARS-CoV-2 produzido a partir de equinos imunizados com a proteína S.

Além da Coppe/UFRJ e do IVB, também participaram do estudo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e houve apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).